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Mundo melhor


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No mundo atual, a segurança e a prosperidade converteram-se em duas faces de uma mesma moeda. E a tecnologia avançou a tal ponto que, se nos concentrarmos na tarefa de combater eficazmente a pobreza, poderemos ter êxito em melhorar as condições de vida de milhões de pessoas. Para que isso seja possível falta realizarmos determinados esforços. É por isso que no Fórum Econômico Mundial (FEM) escolhemos para nossa reunião anual de 2004 o lema “Associando-nos para a Segurança e a Prosperidade”. As atuais preocupações em matéria de segurança começam por nossa segurança individual e seguem através das questões geopolíticas que se converteram, em grande medida, em parte de nossas vidas cotidianas. Enquanto alguns querem argumentar que a segurança é uma condição prévia para a prosperidade, nós também podemos afirmar que a falta de prosperidade é a causa da insegurança.

Desde os empresários sociais até os bons exemplos de responsabilidade social das grandes corporações, os indivíduos e as organizações estão se envolvendo cada vez mais profundamente nos problemas do desenvolvimento. E, embora talvez ainda não reconheçamos claramente a forma das coalizões sociais emergentes, podemos estar seguros de que elas não são meramente uma continuação do passado. O desenvolvimento, depois de tudo, é muito importante para ser deixado apenas nas mãos dos governos. As associações farão com que as palavras se traduzam em ações.

No FEM, criamos o Global Institute for Partnership and Governance para supervisionar as diferentes iniciativas com as quais as corporações empresariais que integram o Fórum se comprometeram. Do programa de educação na Jordânia à iniciativa mundial para combater a aids, a tuberculose e a malária, ou do Registro sobre Gases Causadores do Efeito Estufa à Rede de Ajuda em Desastres (agora presente no Irã), mais e mais companhias estão participando da solução de problemas econômicos, sociais e ambientais que afetam negativamente nossas comunidades. Há outros caminhos para incrementar a ação na busca de soluções em um mundo que tanto necessita dela.

A reunião do Fórum Social Mundial (FSM), na Índia, foi a continuidade de um longo caminho iniciado em Porto Alegre. A partir de uma oposição à atual modalidade de desenvolvimento, os integrantes do FSM passaram a proclamar que “outro mundo é possível”. Da Índia a Taiwan e dos Estados Unidos à Indonésia, junto com muitos outros países, mais da metade da população mundial participará de eleições nacionais este ano. É, por certo, um sinal formidável do fortalecimento da democracia no mundo. Entre os empresários sociais e as corporações globais e entre Davos e Porto Alegre existe um espaço comum para uma associação que criará prosperidade para todos. Sim, é possível um mundo melhor!

O autor, José María Figueres, é ex-presidente da Costa Rica.

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