O novo gerente executivo do Instituto Nacional do Seguro Social (INSS) de Bauru, Josué Lopes Moreira Filho, afirmou ontem que vai manter a implantação de sistemas para “desafogamento” do trabalho nas agências e engrossar o coro para a realização de concursos. Segundo ele, o órgão sofre com a falta de novos funcionários e com a aposentadoria de parte do pessoal da ativa.
Funcionário de carreira desde 1988, Moreira Filho, 40 anos, substitui João Antônio Ribeiro Manso Sayão - que, apesar de escolhido pelo Ministério da Previdência Social para permanecer no cargo, deixou o posto por motivos particulares. “Nós temos de fazer alguns trabalhos de continuidade e não dá para fugir à regra. As orientações de planejamento operacional devem ser respeitadas”, disse o novo gerente.
Para Moreira Filho, que durante dois anos foi chefe da agência da Previdência em Botucatu, o principal problema para agilizar o atendimento e a concessão de benefícios e mesmo para aumentar a arrecadação reside na falta de pessoal. Atualmente, as sete agências do INSS subordinadas à gerência de Bauru somam 286 funcionários para atender a cerca de 2 mil pessoas diariamente. “Nossa casa está muito reduzida. Sobram poucos agentes administrativos, técnicos e analistas previdenciários”, afirmou.
O antigo gerente concorda com a colocação. Para Sayão, além de “extremamente preocupante”, a ausência de novos funcionários deixa os gerentes e chefes de mãos atadas. “O quadro está tão reduzido que nós temos de jogar xadrez sem os peões”, exemplifica.
A situação pode se agravar em breve se o novo ministro da pasta, o ex-senador Amir Lando (PMDB-RO), levar adiante o acordo para revisão automática dos benefícios, a exemplo do que ocorreu no caso da correção do Fundo de Garantia por Tempo de Serviço (FGTS) pago pela Caixa Econômica Federal (CEF).
Para Moreira Filho, porém, essas são situações distintas: “Se sair esse acordo, o INSS está preparado para disponibilizar o recebimento no próprio pagamento do segurado. É feito o pagamento direto”, afirmou, ressalvando os casos de beneficiários em busca de informações nas agências.
De acordo com Moreira Filho, tampouco há previsão para como e quando será feito o acordo - até o momento, o novo gerente não teve contato com Amir Lando. “Nós ainda não temos a linha de raciocínio, a linha de trabalho dele, ainda não temos nada”, disse. Assim como o novo gerente, Sayão lamenta a saída do ex-ministro Ricardo Berzoini, que foi para o Ministério do Trabalho e Emprego.
Novo sistema
Na opinião de Sayão, que deixa a gerência após quase dez meses, sua gestão foi “satisfatória” e avançou em alguns setores, como no controle interno e na implantação de sistemas para desburocratizar o atendimento e a concessão de benefícios. “Na linha de benefícios, nós estamos em fase de instalação do Sistema de Administração de Benefícios por Incapacidade (Sabi) em todas nossas agências. Isso certamente vai diminuir o represamento de trabalho”, afirmou.
Sayão, que volta às atividades de auditor fiscal no INSS, declarou que a transição está sendo amistosa e espera que seu sucessor não tenha de enfrentar nenhuma greve do funcionalismo. “Nós tivemos um período tumultuado nesse tempo que eu fiquei à frente da gerência. Tivemos greve do funcionalismo e muito do nosso trabalho acabou atrapalhado por essa situação: pela greve e pelo próprio período pós-greve, que é tão danoso quanto a paralisação”, disse.