Jaú – Depois de registrar cerca de 40 ocorrências de supostas clonagens de celulares pós-pagos somente neste ano, a Polícia Civil de Jaú (47 quilômetros a Sudeste de Bauru) começou a receber na última semana uma série de queixas envolvendo aparelhos pré-pagos. Até ontem, foram sete reclamações formalizadas por moradores de Jaú, envolvendo celulares da operadora Vivo.
Segundo o delegado Wanderley Vendramini, que responde pelos 1.º e 2.º distritos policiais (DPs) de Jaú, as vítimas teriam alegado que carregaram os aparelhos com créditos telefônicos e depois de poucos dias ou apenas algumas horas, mesmo sem a utilização do serviço, o saldo do celular teria ficado negativo. “Elas não utilizaram o telefone, mas constataram que o déficit continuava aumentando”, descreve o delegado.
Esse foi o caso da professora Cilene Agostini Massan, 22 anos. Ela teria carregado o aparelho com um crédito de R$ 50,00 e depois de cerca de 15 dias, mesmo tendo efetuado poucas ligações, seu celular apresentava um saldo devedor de cerca de R$ 45,00. “Eu me senti lesada com essa situação porque eu só usava o celular para necessidades”, lamenta. “Agora ele está bloqueado. Os meus R$ 50,00 eu perdi sem fazer ligação”, completa.
A professora conta que já entrou em contato várias vezes com a Vivo, mas até ontem não havia recebido um posicionamento definitivo sobre o caso. Segundo a Polícia Civil, outros clientes teriam reclamado da dificuldade de obter resposta junto à operadora.
Vendramini afirma que os usuários estão sendo orientados a acionar a Vivo para solicitar o demonstrativo das contas. “Nós também já entramos em contato com a operadora e pedimos que eles agilizem o quanto antes a emissão dos extratos”, diz. O delegado afirma que, a exemplo dos pós-pagos, a polícia está trabalhando com a hipótese de clonagem. Até ontem, não havia suspeitos.
Pós-pago
A Polícia Civil de Jaú recebeu, somente neste mês, cerca de 40 casos de supostas clonagens de celular pós-pago. As denúncias foram formalizadas por moradores de Jaú e cidades vizinhas, como Igaraçu do Tietê. De acordo com Vendramini, há casos de vítimas que chegaram a receber contas no valor acima de R$ 5,5 mil, sendo que os gastos médios com o celular não ultrapassariam R$ 80,00 ao mês.
Elas teriam percebido o prejuízo quando receberam as contas de dezembro. Também em relação aos pós-pagos, todos os reclamantes são usuários da empresa Vivo.
Na avaliação de Vendramini, a prática de clonagem é feita, em geral, por quadrilhas organizadas envolvidas com outros crimes, como tráfico de entorpecentes. Segundo ele, a polícia de Jaú tem trabalhado com essa hipótese. “Esse é um tipo de investigação complexa. Isso porque os criminosos atuam de uma forma rápida e não permanecem muito tempo com o aparelho clonado”, conclui. Vendramini diz que a Vivo já se colocou à disposição da polícia para dar apoio logístico nas investigações.
De acordo com o titular da Delegacia Seccional, Benedito Antônio Valencise, a polícia deve realizar nos próximos dias um trabalho de escuta telefônica nos aparelhos supostamente clonados.
A reportagem entrou em contato ontem com a assessoria de imprensa da Vivo para repercutir o assunto. Por meio de uma nota, a empresa alegou que possui sistemas e equipamentos voltados para o monitoramento das chamadas realizadas pelos clientes. Apesar disso, alguns casos de “desvio de consumo” seriam identificados pelos usuários antes da equipe de controle. A empresa afirma também que “nenhum dos clientes são onerados por quaisquer desvios constatados em suas linhas, visto que a empresa procede a retificação das contas que por ventura tenham sido emitidas e/ou pagas.”
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Vulnerável
Um especialista no assunto consultado pelo JC, que preferiu não ser identificado, afirmou ontem que qualquer aparelho de telefonia móvel, seja ele pós-pago ou pré-pago, está sujeito à clonagem. “O sistema é falível”, conclui.
Segundo ele, em geral, esse tipo de crime é praticado por quadrilhas especializadas e requer um trabalho de inteligência para se chegar aos envolvidos.
Conforme matéria publicada recentemente pelo JC, para copiar as informações de um telefone móvel os criminosos utilizam um computador portátil dotado de um programa específico, que é capaz de interceptar as ondas eletromagnéticas emitidas pelo celular e decodificá-las em outro aparelho. Outra possibilidade de clonagem é por meio do contato direto com o próprio celular, que dispõe de informações alfanuméricas e um código de barra sob a bateria.
O especialista recomenda os usuários a não emprestar o celular a desconhecidos, exigir a nota fiscal na compra do aparelho e realizar a manutenção em empresas credenciadas.
“Maus funcionários de empresas terceirizadas (de telefonia celular) podem ter acesso a toda informação e vendê-las por uma quantia em dinheiro a quadrilhas especializadas. Inclusive, há pessoas próprias para aliciar funcionários de empresas para vender essas informações”, afirma.