O escritor e cineasta Nélson Rodrigues dizia que toda unanimidade é burra. Eu ouso pelo menos neste aspecto discordar de tal afirmativa mesmo porque existe uma certeza absoluta de que dois mais dois são quatro. E até neste exato momento creio estar em plena vigência os conceitos e regras clássicas da matemática e da física, portanto, ninguém pode discordar que esta somatória numérica é unanimidade, mas não são burras. Toda generalização além de injusta torna-se irracional e preconceituosa. Foi um presidente protestante que ordenou a detonação de duas bombas atômicas contra cidades japonesas, entretanto, seríamos levianos se afirmássemos que todos os evangélicos protestantes fossem bélicos e amantes da guerra.
Num passado sombrio histórico a igreja católica enquanto poder político apoiou a escravidão dos negros e o extermínio dos índios, porém hoje os tempos estão mudados e seria uma aberração sair dizendo por aí que todo católico é escravagista e genocida. A filosofia nazista e macabra de Hitler levou para o terror do holocausto 6 milhões de judeus, no entanto só um louco avaliaria que todo alemão é nazista, anti-sionista e exterminador. O comunismo no mundo inteiro ceifou a vida de aproximadamente 100 milhões de pessoas, entretanto, não seria comum se afirmássemos que todo comunista é assassino. As ditaduras militares brasileira, chilena e argentina, torturaram e mataram milhares de esquerdistas, mas sem medo de errar podemos constatar que todos os militares não são antidemocráticos, torturadores e mutiladores. Aqui em Bauru alguns cérebros de pernilongo vivem discriminando pessoas que participaram e fazem parte do grupo do Izzo. Oras, a maioria desses militantes são pessoas honradas e honestas e não devem ser analisadas por erros de uma minoria forasteira. O Nilson Costa também foi cassado e seria uma insensatez se disséssemos que todos os nilsistas praticaram a improbidade.
O ministro da Casa Civil, José Dirceu, atualmente comete a cegueira da falsa unanimidade e da generalização. Pode até ser que exista algum exagero na atitude de um jornalista ou membro do Ministério Público. Mas daí passar a defender uma lei que na verdade é uma vergonhosa mordaça dentro do nosso país torna-se inadmissível. A imprensa e o Ministério Público não devem ser julgados pelos atos errôneos de uma minoria de seus membros. Todos nós sabemos sobre a atuação firme dos promotores públicos descobrindo centenas de atos de improbidade praticados por políticos, e isso anda incomodando a banda podre da política nacional.
É de se estranhar que o PT no poder vá fazer o mesmo que criticava enquanto era oposição. Se isso ocorrer teremos a certeza absoluta de que o poder cega os homens, adocica as mulheres e deixa servos eternamente sonhando com um paraíso que nunca chegará. O Fernando Henrique mandou esquecer o que ele escreveu e só faltava o governo Lula mandar esquecer o que pregava e criticava. Se a carruagem nos próximos anos continuar desse jeito vem aí em 2006 um segundo turno entre Edir Macedo e Enéas. Salve-se quem puder! Eu vou para uma das luas de Saturno. PS - Defendo o controle da natalidade mas o problema da falta de distribuição de renda no Brasil é muito mais sério do que a procriação dos casais de origem pobre.
Pedro Valentim - RG 19.198.011-0