Muita gente já percebeu que a salvação da lavoura vem de fora para dentro e não de dentro para fora, como recentemente aconteceu com tudo o que a Promotoria apurou sobre os desmandos dentro de nossa Câmara de Vereadores. Na hora do voto, entre eles, prevalece o espírito de corpo. Foi e será preciso uma investigação por órgãos totalmente isentos e sem qualquer vínculo com os denunciados, para que cheguemos a algo de concreto. Do contrário, nada será feito. Patinaremos e não sairemos do lugar. Não era para ser assim, mas é, infelizmente.
Constatação idêntica parece ter tido o governo federal quando designou o ministro-chefe da Controladoria Geral da União, Waldir Pires, para na frente de 680 analistas de finanças esmiuçarem a aplicação do dinheiro federal transferido para os municípios brasileiros. Esse pessoal todo, dividido em equipes de 10 analistas, faz uma espécie de força-tarefa naquilo que eles mesmos estão denominando de “antologia da corrupção no Brasil”, num mapeamento dos desvio de dinheiro público. É a eterna luta contra a corrupção, na verificação de onde estão de fato sendo aplicados mais de R$ 60 bilhões, que é a quantia repassada para nossos municípios.
Tudo isso porque todos nós sabemos muito bem como é pantanosa a contabilidade de um município brasileiro. Por onde passam, encontram indícios de fraudes, que segundo eles mesmos estão “gravados no DNA dos 5656 municípios brasileiros”. As irregularidades vão de grupos familiares dominando economicamente uma região, licitações escandalosas escorrendo para uma só calha, aditivos de reajustes dias após a assinatura dos contratos, faturas muito altas para um pequeno movimento, rede de privilégios beneficiando grupo político no poder e empreiteiras por detrás de quase todos os episódios desse descaso com o dinheiro público.
A história se repete por quase todos os municípios sorteados para receberem a fiscalização federal. A salvação da lavoura passa por aí, pois é muito mais fácil tudo ser acomodado localmente, dando-se um jeito para que tudo continue sendo feito como sempre foi. Já vimos em muitos lugares por aí, que nada é resolvido sem a interferência de órgãos competentes, isentos e sem qualquer vinculação com os investigados, para que não ocorra a prática das cartas marcadas. Taí a solução para resolver de vez o problema da corrupção nos meandros dos municípios desse país, pois aprendi desde criança que, quem não deve não teme. Sendo assim, se fosse prefeito, eu convocava esses caras para virem constatar in loco, que a cidade que administro foge da generalização, não se incluindo dentro de tão nefasta antologia. Não é mesmo uma boa idéia? Que os prefeitos brasileiros convoquem a fiscalização.
Henrique Perazzi de Aquino - RG 9.710.205-2