Pesca & Lazer

Litoral sul, paraíso da pesca

Roberta Mathias
| Tempo de leitura: 4 min

O Brasil é realmente um país privilegiado. Especialmente preparado para os amantes da pesca, que não são poucos. Para se ter uma idéia, somadas, as bacias Amazônica, Tocantins-Araguaia, São Francisco e Prata ocupam uma área que passa dos 5,4 milhões de quilômetros quadrados, só em água doce. Depois, o país também é banhado em seus 9.198 Km de litoral pelo oceano Atlântico, com inúmeras reentrâncias com praias, falésias, mangues, dunas, recifes, baías e restingas.

Praticamente o ano todo o litoral brasileiro possui condições favoráveis à navegação. Isso significa que no Brasil a temporada de pesca está sempre aberta, é só escolher qual tipo de peixe pretende fisgar e onde é o local mais próximo de sua casa. É claro que pescaria, em água doce ou salgada, sempre deve obedecer às normas estabelecidas e, principalmente, ter o bom-senso de respeitar a natureza. Pescar sem agredir o meio ambiente.

Em época de defeso, os pescadores mais afoitos buscam novos locais para exercitar seu principal lazer. O litoral paulista tem acolhido esses aventureiros e lhes proporcionado momentos de muito prazer. Quem garante é o pescador Antônio Gervásio de Oliveira, o Toninho da Campesca, que aventurou-se com a esposa Elinor Fernandes de Oliveira em uma pescaria no litoral sul, em Ilha Comprida e Cananéia.

Pescador desde criança, Toninho sempre procura outras opções para pescar, seja em rio ou em mar. Há mais de 30 anos pesca com freqüência no Mato Grosso e há pouco mais de 10 anos descobriu os prazeres da pesca em alto mar. “Meu objetivo era conhecer a região, pescar e descansar. Foi um passeio maravilhoso, que é possível ser feito em família”, comenta.

Saindo de Bauru, Toninho percorreu 490Km para chegar ao seu destino passando por várias cidades: Sorocaba, Piedade, Tapiraí, Juquiá, Registro, Pariquera-Açu e Cananéia. “No final, você pega uns 60 quilômetros de serra, metade dela acompanhando o rio Juquiá, com lindas corredeiras”, acrescenta.

Eles ficaram hospedados no Iate Clube Rio Verde, que oferece toda infra-estrutura para quem pretende passear e pescar. A região, mergulhada no Vale do Ribeira, coberto pela Mata Atlântica, esconde inúmeras possibilidades de lazer, cultura e pescaria.

“Como pegamos alguns dias em que o tempo não permitia pescaria em mar aberto, aproveitamos para conhecer a região. É fantástica.” Ele explica que a região formada por várias ilhas - inclusive a Ilha Comprida (onde está localizado o Iate Clube), que possui 70 quilômetros de praia - , permite a pesca de praia, de canal e de alto mar. “A criançada ficava pescando no píer e pegava robalinhos com camarão vivo”, comenta Toninho.

Na pesca de canal, os robalos também são bastante procurados pelos pescadores. Toninho, que optou por alugar um barco e partir para mar aberto fez, durante dois dias, a pesca de corvina.

“Aparentemente semelhante à corvina de água doce, porém muito mais briguenta e agressiva. É peixe que você leva mais de 30 minutos para tirar”, lembra o pescador. “Pegamos exemplares pesando entre 2,0 a 4,5 quilos”, acrescenta. Ele orienta para que o pescador sempre leve dois a três jogos de equipamento para cada tipo de pesca que pretende fazer, pois é comum ocorrer incidentes. “Ninguém quer parar de pescar por falta de equipamento.”

Outra sugestão do pescador é estar preparado com um comprimido para enjôos caso pretenda ir a mar aberto. “Eu não tive problemas, mas minha esposa sentiu um pouco. É sempre bom prevenir”, informa.

Passeio também agrada

Fazer passeios de barco pela costa também é uma sugestão bastante interessante. O casal teve a oportunidade de conhecer a Ilha do Bom Abrigo, onde existe um marco da chegada de Martim Afonso, em 1531. “A região é histórica, possui muitos locais para visitar. Além de ser um lugar maravilhoso. É fantástico mesmo”, comenta, entusiasmado.

Tombada pela Unesco como Patrimônio Natural da Humanidade, a região lagunar-estuarina de Cananéia, conhecida como Lagamar, é uma fantástica coleção das águas de muitos rios, baias e lagoas com o mar e compreende, num só lugar, quatro ecossistemas: mangues, dunas, restingas e a Mata Atlântica.

No próprio Iate Clube Rio Verde é possível locar barcos, tanto para a pesca como para passeios, e reunir grupos. Além disso, o espaço oferece área de lazer para crianças, sala de jogos, amplo refeitório e quartos com ar condicionado. A praticidade faz com que as esposas acompanhem os maridos pescadores. “A Elinor não vê a hora de voltar. E ela também pescou bastante, fizemos até dublê de corvina”, finaliza Toninho.

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