Pesca & Lazer

História de Pescador: Como nasce um pescador


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“Em julho de 2000, nossa turma esteve mais uma vez no rio Miranda, no Mato Grosso do Sul. Desta vez estávamos em seis pessoas: o tio Carlin e seu filho Gabriel, o primo Chico, que hoje está na Austrália, meu pai, o Jota, eu, e o estreante em pescarias e Pantanal, meu cunhado Alexandre. Ficamos acampados no pesqueiro do David, localizado perto da ponte do 21. O camping, que normalmente recebe muita gente, naqueles dias estava completamente vazio.

Como todos os integrantes da nossa turma têm compromissos, a data da pescaria é marcada com antecedência. Mas naquele ano, na data escolhida, o clima não ajudou em nada. Havia mais de três meses que não chovia, na região, o rio estava muito baixo, a vegetação muito seca e o frio um dos mais rigorosos dos últimos dez anos. Nas madrugadas a temperatura ficava abaixo de zero.

Mas nem tudo esteve perdido. Foi a pescaria em que pudemos avistar a maior quantidade e variedade de animais. Durante o dia vimos pacas, cutias, macacos e até um veado. Os pássaros não saíam de perto de nossas barracas e qualquer resto de alimento era logo surrupiado. À noite era a vez dos lobinhos, que chegavam por todos os lados. Em uma das noites contamos 11, todos em busca de alimentos.

Por falar em alimento, só conseguimos comer peixe em uma única refeição. E como todo principiante, foi o Alexandre quem pescou, ou melhor, caçou o peixe. Explico: com o rio muito baixo, o peixe, um cachara, foi atingido pela hélice de um barco que passava.

Com habilidade e sorte típicas de principiantes, o Alexandre capturou o peixe ferido usando um puçá. Quando ele voltou com o puçá e com o peixe ninguém acreditou! E o que é pior, ninguém lembrou de registrar o momento. O peixe foi do puçá para a frigideira. Foi assim, em uma pescaria que quase não teve peixe, que nasceu mais um pescador.

O Alexandre é, novamente, marinheiro de primeira viagem. Ele foi papai pela primeira vez. Mas de uma coisa eu tenho certeza. O nascimento da Andreza ele não esqueceu de registrar. Parabéns!!!”

Fábio Cortez Verdu é pescador, estudante e contador de história.

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