A derrubada de uma cerca de madeira provocou, ontem pela manhã, mais uma divergência entre a União Internacional Protetora dos Animais (Uipa) e o Centro de Controle de Zoonoses (CCZ) de Bauru. A divisória separa o canil ocupado pela Organização Não-Governamental (ONG) do viveiro de mudas da prefeitura e será substituída por um muro de concreto. A obra faz parte do projeto de ampliação do CCZ.
A vice-presidente da Uipa, Angela Maria Heiffing da Silva, reclama que a cerca foi derrubada sem que a entidade fosse avisada. “Os operários simplesmente chegaram e começaram a trabalhar”, relata.
Segundo ela, 12 cães que estavam do lado de dentro da divisória fugiram e apenas dois haviam sido localizados até o início da noite de ontem. Os outros animais estavam presos.
O chefe do CCZ, veterinário José Rodrigues Gonçalves Neto, afirma que a ONG tinha ciência de que o canil que ocupa atualmente seria reformado desde outubro, quando foi notificada a desocupar a área dentro de 30 dias, fato que deu origem às divergências.
Ele diz que não há como prosseguir as obras sem derrubar a cerca. “Para implantar os alicerces do muro, houve a necessidade de se retirar essa estrutura antiga”, argumenta.
Silva conta que não aceita as explicações do CCZ. Ela promete registrar, hoje, um boletim de ocorrência relatando a retirada da divisória e não descarta tomar medidas judiciais para tentar paralisar a obra. “Antes disso, porém, vamos tentar um entendimento com a prefeitura”, revela.
A ampliação do CCZ está sendo possível graças a um convênio com a Fundação Nacional de Saúde (Funasa), que está arcando com 80% dos R$ 360 mil que estão sendo investidos no local. A previsão é que os trabalhos estejam concluídos em março.
O secretário municipal da Saúde, Hanna Georges Saab, afirma que a Uipa terá que se acostumar com a idéia de deixar o canil que ocupa atualmente, instalado em um terreno que pertence ao município. “Precisamos terminar a obra e pretendemos utilizar aquele espaço”, alerta.
A vice-presidente da Uipa diz que aceita sair do local, mas quer condições para isso. “Preciso de uma semana de prazo para alojar os animais em celas coletivas improvisadas. Os animais ficariam neste espaço até que a prefeitura construa um novo canil para nós, como foi prometido”, declara Silva.
Saab diz que o espaço que será destinado à entidade é o canil ocupado atualmente pela Polícia Militar (PM), ao lado das penitenciárias 1 e 2. A corporação planeja se mudar para um novo prédio, que seria construído às margens da rodovia Bauru-Ipaussu, e ofereceu o seu atual endereço à Uipa.
A dirigente da Uipa não se mostra muito favorável à idéia. “Primeiro, a PM precisa construir o seu novo canil, o que vai demorar, no mínimo, uns seis meses. Além disso, o lugar que nos ofereceram fica muito longe”, opina.