Quando Lula prometeu que iria arrumar empregos para os brasileiros, realmente não estava mentindo. Eis que, à surdina das suas oportunas aprovações, editou, nessa semana (27/01), uma Medida Provisória que cria nada mais nada menos que 3 mil novos cargos de confiança. 3 mil!!! Esse número vem se somar com os 21 mil cargos em comissão que já estão ocupados por integrantes petistas nas diversas superintendências, institutos, bancos, secretarias e demais instituições que se transformam no “cabidário de empregos”. Apenas como comparação, na Inglaterra, em cada troca de governo apenas uma centena de cargos são substituídos; na França, apenas 1.000 e, no mais intrincado governo do planeta, os EUA, com todos os seus tentáculos administrativos esparramados em torno do globo, existem apenas 5 mil cargos comissionados. Melhor situação é a da Itália, que desde a Segunda Guerra substitui apenas os cargos eletivos. E no Brasil: 24 mil!
Tudo isso tem uma razão lógica de ser. Quando se substitui um número tão grande de servidores, perde-se a memória do governo e da administração pública. E o problema de quem entra sempre se repete: no primeiro, ainda se está conhecendo a máquina administrativa e, no último, não quer mais nada com ela. Não por coincidência, todas as grandes potências financeiras do planeta respeitam essa memória e, mais que isso, respeitam a fonte geradora desses recursos. Conclui-se que somos o que somos por mérito próprio. Conseguimos integrar o bloco dos países subdesenvolvidos e pobres por nossa enorme capacidade de sermos idiotas e incompetentes, aceitando desculpas esfarrapadas dos administradores tais como a que o guerrilheiro Zé Dirceu usou para justificar os 3 mil novos cargos: “A máquina administrativa está sucateada”.
O que ele não explica é que os cargos comissionados funcionam como fonte arrecadadora de recursos do próprio PT, pois que seus ocupantes têm que destinar entre 2% a 10% de seus salários para os cofres do partido (e isso ocorre para todos os cargos em comissão, em todos os demais níveis municipais e estaduais). Em números reais, todos esses 24 mil cargos resultarão em R$ 183.000.000 (cento e oitenta e três milhões) ao término dos 4 anos de Governo (fonte: Revista Veja n.º 1819). Haja interesse político! Claro que o problema não é o PT, mas sim o PMDB, PDT, PSDB, PP, PSB e todos os outros demais partidos. O problema, nesse caso, é o fisiologismo petista, que nem mesmo distribui os cargos entre outros partidos (prática igualmente reprovável), tal a sede com que “foi ao pote”. Realmente, acredito que, pelo menos, 24 mil brasileiros tiveram sua situação financeira e empregatícia resolvida. Viva a democracia!
Ivan Garcia Goffi - OAB/SP 165.173