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Demanda de professores também é grande

Diego Molina
| Tempo de leitura: 3 min

O presidente do Grupo Administrativo do Câmpus (GAC), José Carlos Plácido da Silva, afirma que a reitoria da Unesp ainda não finalizou a análise do sub-quadro de docentes necessários para a instituição. No entanto, é notável que também existe uma defasagem no número de professores, assim como de funcionários.

Atualmente, as três faculdades de Bauru e o Colégio Técnico Industrial (CTI) contam com 379 professores contratados, além de mais 24 professores substitutos - atuando enquanto os concursos para contratação não são finalizados ou em casos de docentes enfermos.

O presidente da sub-seção de Bauru da Associação de Docentes da Unesp (Adunesp), Gilberto Magalhães, afirma que o sindicato também não possui levantamentos da demanda de professores, mas que o problema é real e atinge praticamente todos os cursos da unidade.

“Temos esta situação de defasagem, onde você precisa remanejar os docentes para suprir todas as aulas. E quando há necessidades de novas disciplinas, você ainda exige que ele se prepare, tenha uma qualificação sobre o assunto, o que lhe tira o tempo de outras atividades, como projetos de pesquisa”, demonstra.

De acordo com Plácido, existem alguns concursos em andamento e outros que devem ser realizados durante o ano, visando suprir a demanda de docentes em todas as unidades da Unesp. “Claro que os concursos não vão atender a demanda como desejamos, mas seremos contemplados com algumas contratações. É algo que já vem defasado de gestões anteriores e que não seria possível suprir em apenas um ano. É uma questão de ordem financeira mesmo”, ressalta.

Plácido ainda ponta a dificuldade na contratação de profissionais especializados, o que também ampliaria a defasagem de docentes. “Para alguns cursos, já abrimos concurso três vezes e não tivemos nenhuma inscrição de candidatos. Não era nem pela formação, mas pela disponibilidade de profissionais que não querem ficar na universidade em tempo integral. Se houvesse um regime de dedicação parcial e salário convidativo, a situação seria diferente”, declara.

Magalhães explica que o problema da falta de professores tomou maiores proporções a partir de 1995, quando a instituição criou uma categoria de funcionalismo público diferente para os professores - chamada de regime autárquico.

“Ou as pessoas ficavam no regime da CLT (Consolidação das Leis Trabalhistas) ou optavam pela outra alternativa, que o sindicato combateu desde o início. Em 2000, foi verificado que este regime era irregular, pois a Unesp tinha legislado sobre regime de trabalho - o que não é sua competência”, explica.

O regime autárquico, na ocasião, oferecia um pacote de “vantagens” como aposentadoria e pensão integral e estabilidade. Segundo Magalhães, para resolver o problema, a Unesp iniciou diversos concursos para efetivação, para que os docentes passassem ao regime estatutário. Neste processo, muitos já decidiram por sua aposentadoria.

"Expansão irresponsável"

Para Magalhães, outro fator que também contribuiu para a defasagem de professores foi a expansão da Unesp realizada no ano passado, com a abertura de oito novos câmpus e 36 novos cursos. Ele alega que a expansão atende apenas aspectos políticos e não teria sido realizada prevendo a qualidade do ensino e a garantia de verbas para toda a instituição.

“Isto é um contra-senso porque não foi atendida a demanda existente. Eles não contrataram professores e funcionários para os câmpus que já estão defasados, e ainda abriram mais cursos. Foi uma expansão irresponsável, ao contrário do que fizeram a USP (Universidade de São Paulo) e a Unicamp (Universidade Estadual de Campinas), que ampliaram o número de vagas nos cursos já existentes e abriram alguns cursos em seus próprios câmpus”, acusa.

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