O caminho para o retorno do Noroeste à Série A1 do Campeonato Paulista passa pela reestruturação do clube e recuperação da auto-estima de todos os noroestinos. Esse é o pensamento da atual diretoria do Alvirrubro, que comanda o clube bauruense desde outubro de 2002 e se mostra confiante em chegar à A2 no próximo ano para depois brigar pela elite do futebol paulista.
Segundo o gerente de futebol do Noroeste, Celso Zinsly, nestes 15 meses foram realizados investimentos para recuperar o patrimônio do clube e proporcionar aos atletas totais condições de desenvolver o melhor futebol em campo.
De acordo com Zinsly, o Noroeste conta hoje com alojamentos para 56 atletas profissionais mais 12 juniores, em um sistema de flat, com quatro atletas por apartamento. O gerente contabiliza ainda os jogadores que poderiam ser alojados na Panela de Pressão, o que daria cerca de 80 leitos para hospedar. O clube tem também piscina para hidroginástica, sala de TV e vídeo e academia de fisioterapia.
“O atleta que entra hoje no Noroeste mora, come, dorme, se cuida, faz o treinamento, faz o tratamento, tudo dentro do Alfredo de Castilho. Para a concentração, ele não vai para hotel mais. Ele concentra dentro do clube”, revela Zinsly, que lembra que, do atual elenco noroestino, somente o zagueiro Vinícius, o meia Cris, o lateral Jorginho e o goleiro Maurício não moram dentro do Noroeste.
A construção dos alojamentos dos profissionais, piscina e sala de fisioterapia foi finalizada em 59 dias. O Cene-MS já ficou hospedado no Alfredo de Castilho durante a disputa da Copa São Paulo de Juniores, no mês passado. “(A área) Era um campo de bocha antigo. A gente aproveitou a estrutura toda e transformou, preservando a arquitetura do projeto inicial, em alojamento”, conta Zinsly.
Nestes últimos meses foram concluídas as obras no Estádio Alfredo de Castilho, com recuperação do gramado e arquibancadas. O Norusca finaliza ainda o seu Centro de Treinamento, com 8.600m de área gramada, que será inaugurado nesta semana.
Zinsly revela que a diretoria já desenvolve novos projetos. “Existe, ao lado do alojamento hoje, uma situação idêntica ao do antigo campo de bocha, que é o campo de malha. Nosso projeto é transformar aquilo em salão de festas, não somente para atletas mas também para sócios”, planeja. O clube pretende, na sequência, construir brevemente sua cozinha industrial.
Zinsly destaca que o principal mérito da atual diretoria é a mudança de mentalidade em relação aos antecessores e o trabalho planejado. “Em toda diretoria que assumiu antes, a preocupação maior era montar um time para disputar o Campeonato Paulista. Poucos dirigentes que passaram pelo Noroeste pensaram em reestruturar o clube primeiro e depois montar um time”, considera Zinsly.
O dirigente acrescenta que as diretrizes para o trabalho de recuperação do Noroeste foram discutidas entre a diretoria e aprovadas pelo presidente do clube, Damião Garcia, que é também a única fonte de receita do Norusca e, segundo seus próprios calculos, já investiu R$ 1,2 milhão no clube.
“A condição que nós tivemos no ano de 2003 foi esta: o Damião (Garcia), o Toninho (Gimenes) e o próprio Érico (Braga) queriam montar um time. Eu sempre fui contra, achei que em 2003 não deveríamos investir no time. Deveríamos investir no clube. E isso foi feito e agora a gente tem uma condição diferente do que era do ano passado para trás no Noroeste”, comemora Zinsly.
Outro grande problema antes enfrentado pelo Noroeste eram as 35 ações trabalhistas movidas contra o clube por ex-funcionários e ex-jogadores. Damião Garcia conseguiu acordos para eliminar 32 destes processos. Restam somente três pendências, que são movidas por Vaguinho, João Paulo e Cazarotto, que, segundo Damião, não aceitaram nenhum tipo de acordo.
“A gente tem uma estrutura montada que poucas equipes no Brasil têm. Então, o que a gente tem que fazer é trabalhar e montar esta equipe. Eu tenho certeza absoluta que este time foi montado para conseguir o acesso. Não aconteceu nenhum jogo ainda, mas é um time que tem potencial para isso”, afirma Zinsly.
O diretor de futebol do Noroeste lamenta apenas a falta de apoio ao único clube de futebol profissional da cidade. “Não existiu verba pública, não existiu verba do munícipe, não existiu verba do empresariado. Infelizmente, nós não tivemos verba. Verba zero”, conclui.