Saúde

Perder peso NÃO é emagrecer

Sabrina Magalhães
| Tempo de leitura: 3 min

Nas últimas décadas, manter ou adquirir uma boa forma física tem sido considerado essencial para quem deseja a qualidade de vida. De olho no novo nicho, o mercado oferece uma variedade cada vez maior de produtos e programas que prometem a tão desejada perda rápida de peso. O cliente pode até devolver o produto se não estiver satisfeito, mas a balança quase sempre confirma os resultados.

O problema é que perder peso não significa emagrecer. De acordo com o médico especialista em nutrição Hervé Robert, sofrer de obesidade ou sobrepeso significa ter excesso de massa gorda no organismo. Emagrecer, portanto, quer dizer fazer diminuir o percentual de gordura do corpo.

“Perder peso é algo que a balança evidencia, sem que isso seja uma garantia de que tenha sido a massa gorda que realmente diminuiu. Um regime mal concebido pode fazer minguar prioritariamente os músculos, então, é a massa magra que diminui e não a massa gorda (...) Perde-se peso, mas não se emagrece”, alerta.

Ele lembra que muitos destes produtos anunciados têm efeito diurético. “A pessoa que os consome urina mais vezes, portanto, perde água. Ora, um litro de água eliminado é um quilo a menos na balança. Nesse caso, houve um afinamento e não emagrecimento. Para piorar, esses quilos logo serão retomados”, acrescenta.

Autor do recém-lançado livro “Emagrecimento - 100 perguntas e respostas”, da Editora Larousse do Brasil, Hervé Robert discorre sobre as dúvidas mais comuns de quem quer emagrecer. Segundo ele, há muitas contradições e incoerências nas informações relativas à obesidade. Esclarecê-las é o ponto de partida para quem quer enfrentar os obstáculos que a tentativa de emagrecer apresenta.

Em 1998, a Organização Mundial de Saúde (OMS) classificou a obesidade como doença. Até então, o excesso de peso era visto como sintoma de outras patologias. Naquela época, o problema afetava 5% a 10% da população mundial (250 milhões de pessoas).

Hoje, estima-se que mais de 1 bilhão de pessoas estejam acima da faixa de peso saudável. A OMS vem tratando a obesidade como uma pandemia - termo usado para indicar que uma doença tornou-se epidemia mundial.

Por estar relacionada ao desenvolvimento de diversas patologias - como as cardiopatias, a hipertensão arterial, o diabetes, doenças nas articulações, derrames e cânceres -, a obesidade é classificada como um dos mais graves problemas atuais de saúde pública, perdendo até para doenças incuráveis como a aids.

Diante destes dados tão alarmantes e incentivados pelo prazer de se ter uma boa aparência, homens e mulheres de todas as idades empenham-se em perder os quilinhos extras. “Daí se deduz, portanto, toda a ambigüidade que existe entre as expressões ‘perder peso’ e ‘emagrecer’. Ambigüidade com a qual os publicitários jogam para enaltecer estes ou aqueles produtos e métodos mirabolantes”, salienta o especialista.

Se não podem usar o termo “emagrecimento”, usam e abusam das expressões “perder peso”, “afinar”. “Em geral, os métodos miraculosos destinados a fazer perder peso não levam senão à perda excessiva de água ou de massa muscular importante. Esses produtos podem pôr em perigo a sua saúde e, de qualquer maneira, têm efeito efêmero”, afirma.

“Os verdadeiros tratamentos emagrecedores devem visar a alvos claros, isto é, buscar agir sobre a massa gorda excedente e mais nada. Tratamentos destinados a ‘afinar medidas’, podem ser enganadores e até perigosos. Na maioria das vezes, fazem os músculos minguar e desidratam, sem, no entanto, agir sobre a massa gorda”, destaca.

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