Na maioria das nações é o aborto humano tido e havido como crime autêntico e, em função disso, é levado a efeito inteiramente às escondidas, seja das autoridades, seja até mesmo de familiares. Quando todos vêem uma gestação em pleno andamento daí a pouco constatam que dali já desapareceu o que esperavam. Então, sua incidência ganha alturas nas mães pobres, remediadas e ricas, calculando-se que ele fique no mundo perto de 45 milhões por ano, representando 12.300 por dia, 4.800 por hora, 80 por minuto e em 6 a cada quatro segundos no panorama universal. Inclui-se o nosso Brasil entre os países onde a abortagem é realizada em patamares extraordinariamente elevados, estimada entre 3 a 4 milhões anualmente, 6.900 por dia, 285 por hora e 5 por minuto. E acontecem, conforme os estudiosos, por vários motivos incontestáveis, entre eles éticos, econômicos, psicológicos e profundamente sociais, atingindo todas as faixas etárias, razão pela qual nem ingenuamente se pode pensar que a sua provocação seja responsabilidade exclusiva das mães-gestantes, podendo-se atribui-la à toda sociedade, a qual, com certeza, tem influência bem acentuada em cada caso, porque vive preocupada com o crescimento das populações, decorrente do número de pessoas que acham que cada criança abortada contribui para limitar o aumento demográfico, por ser um elemento a menos a figurar nas estatísticas e, conseqüentemente, nos conjuntos familiares. De tal conjectura resulta, sem dúvida, a legislação permissiva do aborto existente em quase todos os países, a qual o mantém proibido mas sem, no entanto, puni-lo concretamente, tornando-se então inócua, indefesa até mesmo quando o rejeitado bebê começa a se formar nos úteros maternos. O Vaticano, através do artigo 573 do Velho Documento de Puebla, condena a mentalidade abortiva que domina os povos e debita à família isso que representa indiscutivelmente pecado social, o qual é um desafio para a educação e a cidadania dos pais, que não deveriam pactuar com tão perniciosa tendência, aberta de modo egoísta contra o sentido da vida, uma vez que se considera que a criança, desde que concebida, tem pleno direito de nascer, existir e crescer, contribuindo para o desenvolvimento das populações, obstando, dessa maneira, a declarada vocação dos governos para a sua limitação pura e simples, inclusive encorajando as mães-gestantes para os riscos e perigos das delivrances provocadas. É a nossa opinião.
O autor, N. Serra, é o jornalista responsável do JC e delegado regional da Associação Paulista de Imprensa e da Ordem dos Velhos Jornalistas do Estado.
"Felizes os que não se deixam levar pelos conselhos dos malvados - Salmo 1, 2”.