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HE implanta digitalização de exames

Ronaldo Schiavone
| Tempo de leitura: 4 min

O Hospital Estadual (HE) de Bauru está utilizando a tecnologia para agilizar o acesso ao resultado dos 2,1 mil exames realizados mensalmente em pacientes da instituição. Através de um sistema digital, conhecido como Picture Archiving Communications System (Pacs), é possível arquivar e distribuir as imagens dos diagnósticos através da rede interna de computadores.

O novo sistema, que é pioneiro em hospitais públicos do País, permite que um médico verifique, por exemplo, o resultado de uma radiografia em um dos terminais de computador espalhados pelo prédio, inclusive no próprio consultório. Além da imagem, ele também pode acessar o laudo.

O analista de sistemas do HE, Ronaldo Bargati Cassini, explica que todos os exames do hospital passaram a ser feitos pelo sistema Pacs há cerca de sete meses, com exceção das mamografias. “Como elas são realizadas em um aparelho que tem pouco uso, são feitas no modelo tradicional, de revelação de filme”, justifica.

Ele afirma que também é preciso manter a sala de revelação de raio-x por precaução. “Em caso de uma eventual queda no sistema informatizado, por exemplo, precisaríamos adotar o esquema manual”, diz.

Cinco modalidades de exames (ultra-som, hemodinâmica, tomografia, arcos cirúrgicos e densitometria óssea) são digitalizadas no mesmo instante em que são realizadas. Já os exames de raio-x são revelados em uma chapa especial, que é digitalizada em seguida. O processo, feito em um aparelho específico para esse fim, demora cerca de dois minutos.

Segundo Cassini, a fase de implantação do sistema prevê mais duas etapas. A primeira delas, já em andamento, é o aperfeiçoamento do processo de identificação dos pacientes, que permitirá que os exames possam ser localizados mais facilmente.

A segunda etapa, ainda sem prazo para ser colocada em prática, permitirá a disponibilização das imagens, através da Internet, para os médicos que não trabalham no hospital. “Atualmente, quem é paciente externo precisa levar a chapa para a unidade de saúde em que é atendido. Ela é impressa e entregue a ele”, explica o analista de sistemas.

Vantagens

Para os médicos que utilizam o Picture Archiving Communications System (Pacs) no Hospital Estadual (HE), o modelo tem apresentado vantagens em relação ao método tradicional.

“Temos a disponibilidade de utilizar recursos que a radiografia comum não permite, como ampliar e melhorar a qualidade técnica das imagens, inverter as janelas de observação ou focar áreas de maior interesse”, afirma o radiologista Maurício Morceli.

Ele acredita que o modelo se tornará uma ferramenta usual com o passar do tempo. “Como ocorre com qualquer programa de microcomputador. Quanto mais você usa, maior é a familiaridade com o sistema”, opina.

O ortopedista José Luiz Novelli Filho aponta a rapidez como principal vantagem do Pacs. “O paciente faz o raio-x agora e daqui a cinco minutos posso acessar o exame pelo computador. Além disso, posso localizar, por exemplo, parte específica do osso na imagem”, comenta.

Para Cassini, o governo estadual escolheu o HE para testar o modelo em razão das condições que o hospital oferece. “Ele é novo e com uma grande estrutura de rede, o que facilita a sua instalação”, comenta.

Além do HE, outros sete grande hospitais de São Paulo e Rio de Janeiro, todos privados, já contam com o sistema Pacs.

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Economia

O analista de sistemas Ronaldo Bargati Cassini afirma que, além da praticidade, o sistema Pacs tem como vantagem a redução de custos. “Já cortamos quase pela metade a utilização de filmes. Como ainda temos muitos pacientes externos, quando os resultados dos exames puderem ser acessados pela Internet essa economia será maior”, prevê.

Ele revela que o modelo digital tem a capacidade de armazenar os exames que serão feitos pelo hospital nos próximos seis anos. “Como estamos utilizando apenas 20% do espaço de memória do equipamento, se adquirirmos outras peças poderemos ampliar esse prazo para 12 anos ou até mais”, revela.

O analista de sistemas afirma que há, ainda, a possibilidade de liberar parte do espaço de armazenamento do sistema. “Depois que a imagem for utilizada, ela poderá ir para um arquivo morto, que será guardado em outra forma de mídia para eventual consulta”, declara.

Segundo ele, os médicos estão se adaptando bem à novidade. “A maioria dos problemas que verificamos não é com o sistema, e sim com a informática. Ministramos um curso de três semanas e isso facilitou a adaptação deles”, diz. Os funcionários que realizam os exames também passaram por treinamento.

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