Regional

Botucatu tem pior chuva em 13 anos

Adilson Camargo
| Tempo de leitura: 3 min

Botucatu - A chuva que castigou parte de Botucatu (100 quilômetros a Sudeste de Bauru) no sábado passado foi a pior dos últimos 13 anos, segundo informou o chefe da Defesa Civil do município, Tristan Dierckx. Apesar dos estragos, nenhuma família ficou desabrigada.

Casas foram inundadas, muros caíram, asfaltos foram arrancados com a força das águas e muitas ruas ficaram intransitáveis por causa do acúmulo de grande quantidade de entulho e sujeira.

Os estragos foram mais sentidos na região central e nas zonas oeste e norte da cidade, onde ficam os bairros Jardim Paraíso 1 e 2, Vila dos Lavradores, Vila Antártica, Jardim Panorama, Jardim Itamarati, Vila Maria, Jardim Cristina, Jardim Peaberu e Parque Conde de Serra Negra.

A rodoviária da cidade ficou interditada por cerca de três horas por causa do alagamento, provocando sérios transtornos à chegada e saída de ônibus.

No Centro, a avenida Floriano Peixoto também permaneceu interditada por quase três horas no trecho que passa ao lado da estação ferroviária. Segundo Tristan, um muro de arrimo da Rede Ferroviária Federal (RFFSA) cedeu e espalhou terra e lama na avenida.

A chuva de sábado passado durou cerca de meia hora e em alguns pontos da cidade chegou a cair granizo. Pelo menos 15 casas ficaram inundadas.

Os muros de uma creche e de uma escola estadual, na Vila dos Lavradores, caíram causando danos aos estabelecimentos e também às residências vizinhas.

O trabalho de limpeza e liberação das principais ruas da cidade começou no mesmo dia, com cerca de 50 servidores municipais, e seguiu até anteontem à tarde.

Serviço emergencial

Por enquanto, a prefeitura está realizando apenas serviços emergenciais, como remoção de entulhos e construção de novos muros para evitar que as águas voltem a invadir as casas.

No caso da rodoviária, as inundações, segundo o chefe da Defesa Civil, são inevitáveis. Segundo ele, o problema só será resolvido com um trabalho a longo prazo e num período de estiagem.

As ruas que perderam parte do asfalto terão de aguardar até o fim das obras emergenciais para serem recuperadas, informou Tristan, que também é chefe de gabinete do prefeito Antônio Mário Ielo (PT).

Segundo ele, o departamento jurídico da prefeitura foi colocado à disposição dos moradores que tiveram prejuízos com a chuva para eventual indenização.

“Estamos orientando as pessoas a registrarem boletins de ocorrência, fotografarem os danos e entrarem com pedido de reparação na prefeitura”, disse Tristan. “Assim nós vamos poder estudar juridicamente as medidas cabíveis, inclusive eventuais indenizações.”

Topografia favorável

Botucatu, ao contrário de outras cidades da região, como Bauru, por exemplo, não tem um histórico de inundações. Segundo o chefe da Defesa Civil, a última vez que a cidade havia registrado uma chuva tão forte e com tantos prejuízos foi em 1991.

Na opinião de Tristan, a topografia de Botucatu não favorece as enchentes. Segundo ele, existem muitos córregos e rios que passam pela cidade e isso facilitaria o escoamento da água.

“Botucatu sofre do mesmo problema das cidades antigas. As galerias pluviais são pequenas e não comportam um grande volume de água.” Além disso, alguns bairros foram construídos na cidade sem galerias, o que levou a Câmara em 2001 a aprovar uma lei que proíbe a abertura de loteamentos que não tenham galerias instaladas.

“É o mínimo que poderia ter sido feito para que as chuvas não se transformem num grande problema para a cidade”, comentou Tristan.

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