Oito municípios da região de Bauru, que ainda não aplicam flúor na rede de abastecimento público de água, devem realizar o tratamento até o final de 2004. Um programa lançando neste mês pela Secretaria de Estado da Saúde, com o objetivo de reduzir a incidência de cárie, vai repassar cerca de R$ 113 mil para a Direção Regional de Saúde (DIR-10).
A verba atenderá as cidades de Pirajuí, Itapuí, Cafelândia, Guaiçara, Igaraçu do Tietê, Itaju, Reginópolis e Sabino.
De acordo com a coordenadora da área técnica de saúde bucal da secretaria, Maria Candelária Soares, a intenção é de que todos os municípios do Estado adotem esse método de fluoração até o final do ano. Para tanto, o programa investirá R$ 2,2 milhões em 128 cidades e atenderá 1,7 milhão de pessoas.
Segundo a coordenadora, a presença de flúor na água reduz em até 60% a incidência de cárie. Um levantamento realizado pelo governo apontou que as cidades que não fazem uso desse sistema apresentam, em geral, os maiores índices de cárie do Estado. Diante dessa constatação, afirma Candelária, o governo decidiu ajudar os municípios com um incentivo financeiro.
De acordo com uma lei federal de 1974, a adição de flúor na água é obrigatória e de responsabilidade das administrações municipais. Em geral, segundo a coordenadora, as cidades que ainda não realizam o tratamento são de pequeno porte e com redes de abastecimento de água alternativas.
“São as que devem ter mais dificuldades em termos de recursos financeiros e que não atentaram ainda para o benefício desse método”, avalia. Segundo ela, atualmente, todos os municípios abastecidos pela Companhia de Saneamento Básico do Estado de São Paulo (Sabesp) já contam com a fluoração.
Na avaliação de Candelária, o tratamento por meio da água é a forma mais democrática e ampla de se diminuir a incidência de cárie. “A água chega para todo mundo. E a importância do benefício do flúor não é só para criança, mas para toda a população. Porque o flúor além de ser preventivo, paralisa os processos iniciais de cárie”, completa.
A coordenadora afirma que a maioria das cidades do Estado disponibilizam hoje procedimentos coletivos de combate à cárie, como bochechos com flúor e escovação supervisionada nas escolas. Entretanto, segundo ela, essas iniciativas, apesar de serem importantes, não conseguem atingir a população como um todo.
Na avaliação da coordenadora, além de democrática, a adição de flúor na rede de abastecimento de água é a forma mais barata de combate à cárie. “O material de consumo fica menos de 10 centavos/por habitante ao ano”, afirma.
Repasses
A participação dos municípios no programa depende da aceitação dos prefeitos, que devem firmar um convênio com o governo do Estado. Durante o mês de fevereiro, a secretaria vai se reunir com as regionais de saúde para dar início ao trabalho em nível local.
Por meio do programa, os repasses realizados para as cidades com até 20 mil habitantes cobrirão 100% dos custos do projeto de fluoração, incluindo material de consumo suficiente por três anos.
Para as cidades com mais de 20 mil habitantes, os recursos deverão cobrir até 50% dos custos. As prefeituras terão a responsabilidade de manutenção do sistema e a contratação dos recursos humanos. A intenção do governo é criar condições para os municípios se equiparem e darem continuidade ao tratamento de forma independente nos próximos anos.
De acordo com o prefeito de Pirajuí, Euclides Ferraz Camargo Neguito (PMDB), a administração municipal vai aderir à iniciativa. Atualmente, o tratamento com flúor na cidade é realizado somente nas escolas, por meio do acompanhamento de dentistas. “Eu acho extremamente importante, e nós daremos a contrapartida necessária para a realização”, afirma.
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Índice de cárie
No Estado de São Paulo, a prevalência de cárie entre crianças de 12 anos é de 2,52 dentes cariados, perdidos ou obturados por pessoa. A meta estabelecida pela Organização Mundial de Saúde (OMS) é de um índice igual ou menor a três.
“Em nível estadual, a gente teve uma redução bem significativa de cárie na população infantil. Em 1982, por exemplo, nós tínhamos crianças de 12 anos com, em média, 7,14 dentes atacados pela cárie. Em 2002, no último estudo realizado, esse índice caiu para 2,5”, afirma a coordenadora da área técnica de saúde bucal, Maria Candelária Soares.
Entretanto, segundo ela, ainda há municípios, onde a incidência é alta. Esse é o caso de Luís Antônio, na região de Ribeirão Preto, que apresenta o resultado mais negativo do Estado - 8,38 dentes cariados, perdidos ou obturados por pessoa.
Em segundo lugar vem Pirangi (7,80), na região de Barretos, e Tabapuã (7,12), que fica próximo a Sorocaba. A reportagem não conseguiu levantar ontem junto a DIR-10 dados comparativos em relação à região de Bauru.