A população universal, estimada em cerca de cinco bilhões de pessoas, seria bem mais numerosa não fosse a peste que, mais ou menos em 1350, exterminou um terço de seus componentes. Foi um suplício, mas não o único do qual hoje se tenha ciência, pois a última grande epidemia que assolou quase todos os continentes foi a bubônica de 1896, há 107 anos, chegando ao Brasil escondida atrás de outra denominação: febre amarela! Felizmente, porém, não teve ela a disposição degenerativa da anterior, uma vez que os povos que então ocupavam a Terra, na passagem do século XIX para o XX, já tinham descoberto a vacina, vitória humana ocorrida no anterior XVII e, então, escaparam das consequências da peste de Atenas (2400 antes de Cristo), na qual, segundo o médico grego Tucidedes, “o medo do contágio fazia com que os doentes fossem abandonados até pelos médicos”. A diminuta assistência, realmente inexpressiva recebida pelos enfermos, procedia de quantos, já tendo sido doentes, tinham se recuperado, pois ninguém era atacado uma segunda vez com resultados fatais. Não se duvida, portanto, da magnificência das vacinas, hoje proliferando no mundo, que fazem o organismo desenvolver defesas contra determinadas enfermidades antes de ter chegado a contraí-la, uma vez que a compleição humana resiste de alguma forma ativa aos seus ataques. São elaboradas à base de alérgenos com o objetivo de estimular a produção de anti-corpos, definidos como “proteínas que respondem parcialmente pela defesa orgânica, circulando através de todo o corpo pelas vias do sangue”.
Seria bom que já se tivesse inventado vacinas contra outros tipos de vírus, bactérias etc, mas infelizmente ainda não se tem essa ventura. As que existem são preparadas mediante o próprio microorganismo causador da doença, havendo, contudo, as que são preparadas com substâncias não vivas e estranhas aos corpos como a destinada à bronquite alérgica. Conclui-se, por tudo isso, que se reclama das populações, inclusive a brasileira, tirar o chapéu aos inventores e produtores da terapêutica, considerada excelsa ampliadora de vida, da qual ninguém abre mão verdadeiramente. Despertem-se todos para a guerra em que ora se empenham regiões da África e da Ásia contra a gripe aviária e outras endemias, que estão desafiando suas populações, e ponham as barbas de molho. É a nossa opinião.
O autor, N. Serra, é o jornalista responsável do JC e delegado regional da Associação Paulista de Imprensa e da Ordem dos Velhos Jornalistas do Estado.
“Por que se enfurecem as nações e os povos meditam coisas vãs?” Salmos 2. 1