Lendo a Tribuna do Leitor de domingo, 1/2, deparei-me com a carta escrita por Natalino Guedes da Silveira, palmeirense, para o corintiano Antônio Ribeiro Corrêa. Vou meter minha colher nesse angu.
1- Não existe ódio entre as torcidas. Por ter pensamento assim algumas atrocidades têm acontecido no futebol. Ódio é adjetivo para anti-esportistas. Existe sim uma rivalidade muito grande entre as torcidas, o que tem feito a sobrevivência do futebol nesses dias difíceis.
2- O apadrinhamento na compra de Marcelinho Carioca pela federação não existiu. Foi feita uma consulta popular através de ligações telefônicas pagas e o Corinthians ganhou, afinal somos esmagadora maioria no mais populoso Estado do país.
3- Quanto à punição de Dualib, informo que ele não joga, portanto isso não influiu em resultado algum dentro do campo.
4- Castrille marcou dois pênaltis para o Corinthians contra a Portuguesa que outros árbitros não marcam porque têm medo de cumprir a lei. São empurrões que acontecem e quando a televisão flagra é aquela choradeira. Ele marcou, cumpriu a lei. Ademais, o Corinthians não foi campeão naquele ano. Era apenas uma disputa de semifinal, o São Paulo foi campeão (na minha opinião, numa falha do regulamento que permitia a contratação de novos jogadores para a fase final. O São Paulo trouxe Raí e foi campeão).
5- Árbitro x Santos. O Santos reclamou que o tempo de jogo já havia esgotado (e foi provado que não). Essa conversa de impedimento surgiu depois que as televisões, usando recursos de última geração, gerou polêmica, que acontece em todos os jogos, ou quase todos, pois árbitros e bandeiras não possuem os mesmos recursos técnicos da televisão.
6- No caso Simon, não houve má intenção. Foi nosso árbitro na Copa do Mundo. E era só a 1ª partida. O Corinthians foi campeão com arbitragem correta de Wilson de Souza Mendonça uma semana depois, no campo do Brasilense, carinhosamente chamado de Boca do Jacaré.
7- O Corinthians foi convidado para o Mundial Interclubes por ser na época o campeão do país-sede. Aliás, as torcidas rivais teimam em desmerecer essa conquista corintiana que é, sem dúvida, a maior conquista que um clube brasileiro possui. Aliás, título conquistado dentro do Maracanã, contra o Vasco que tinha na época, pelo menos no papel, o melhor ataque do mundo. Entrem no site da Fifa, que é o órgão mundial do futebol, e vejam qual é o time campeão do mundo. Os outros títulos que existem por aí foram disputas não oficiais, ou quando muito oficializados pela mídia ou de boca em boca. Nesse torneio mundial estava o Manchester, que dias antes havia derrotado no Japão o Palmeiras, que havia sido campeão da Libertadores na cobrança de pênaltis, contra um fracóide colombiano, que estava levando vantagem até nas penalidades em pleno Parque Antártica.
Vejam a diferença dos dois clubes. Enquanto os juniores de Corinthians chegaram doze vezes às finais da Copa São Paulo da categoria, ganhando cinco títulos, o que demonstra uma organização infinitamente superior, o Palmeiras corre atrás do primeiro e não consegue. Enquanto disputávamos a final do Brasileiro 2002 com o Santos (já havíamos ganho o Rio-São Paulo e a Copa do Brasil), o Palmeiras amargava o rebaixamento para 2.ª divisão. Só para encerrar, voltando ao favorecimento de bastidores mencionado pelo amigo palmeirense, vale lembrar o episódio José Aparecido de Oliveira, no fim da fila, que por falta de capacidade dos dirigentes tiveram que submeter aos desmandos da Parmalat, mudaram uniformes, adicionaram outras cores e precisaram do Zé Aparecido para sair da fila.
Mas é assim. O Corinthians incomoda. Mas os dirigentes corintianos, salvo raras exceções, ao longo do tempo demonstraram muito mais capacidade e profissionalismo. E a polêmica em São Paulo existirá sempre, pois sempre existirão dois blocos apenas. Nós, corintianos, e o resto.
Vítor Rodrigues Ruiz - RG 11.225.892