Tribuna do Leitor

Abusos das evoluções


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Não é de muito tempo a moda do semi-nudismo, hoje existente nos desfiles dos carros alegóricos e escolas de samba, nas festas de carnaval. No começo eram raras as folionas que se apresentavam nos préstitos cariocas, paulistanos, gaúchos, baianos, mineiros etc com pouca roupa cobrindo os realces de seus corpos. Mas isso ficou como costume do passado, pois de anos a esta parte as meninas começaram a usar o mínimo imaginável. E aí estão exibindo nas passarelas praticamente o físico inteiro, cobrindo unicamente parte do seio e igual tanto do sexo, parcialmente ocultos por apenas tiras ou fitas de pano, conforme os vêem as massas que se acomodam nas arquibancadas ou procuram vê-las na televisão. São tão diminutos os esconderijos, que deixam a descoberto quase tudo sem a menor cerimônia e os exibem até com sorrisos nos lábios, como que fustigando a curiosidade alheia, especialmente homens, sedentos de espetáculos do gênero. Isso, que hoje se pratica com desmedida permissividade não existia no recente passado porque era contido pela legislação que cuidava da educação e compostura do povo. Provavelmente o tivesse sido também por recato da própria sociedade, à qual se debitava uma série de outras restrições ou contenções sociais. Quantos hábitos sociais dominavam as populações e hoje não dominam, alguns para o bem e outros para o mal? Uma variedade descomunal, forçoso é reconhecer, imprimindo transformações humanas inacreditáveis, porquanto a nudez feminina não pode ser aceita como cultura carnavalesca e, portanto, não deveria substituir as boas heranças que o ontem deixou para uso deste voluntarioso hoje, na suposição de que viessem a produzir resultados positivos, eclodindo basicamente uma modernidade sadia, em que não se tivessem diante dos olhos, à luz do sol e da lua, mínimos porta-seios e diminutos tapas-sexos. Enaltecem-se tanto os avanços destes moderníssimos tempos de insuperável Internet como que favoráveis à conquista de melhor qualidade de vida para todos, mas eles avançam rapidamente no sentido de metas que não são as realmente sonhadas pelos seres provindos dos novos horizontes porque cercadas pelas abusivas negativas da dubiedade social. Diz uma mulher, a socióloga Sonia Rykiel: “A roupa não tem vida, não tem força, é um objeto. Simboliza a impressão que a mulher quer dar de si mesma, mas é o corpo que atua. O corpo é que a fará misteriosa, estranha ou sedutora”. Todas as Evas concordam com isso para dar a devida sequência? É a nossa opinião.

O autor, N. Serra, é o jornalista responsável do JC e delegado regional da Associação Paulista de Imprensa e da Ordem dos Velhos Jornalistas do Estado.

Agradecemos ao prezado leitor Anézio Cardoso dos Santos que, em simpática carta à Tribuna do Leitor, manifestou carinhoso aplauso à nossa matéria sobre sossego público!

“Senhor: quando o homem contempla os teus céus, obra dos teus dedos, e ainda a lua e as estrelas que criaste, o que é ele (homem) para esquecer de Ti? Salmo 9.

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