Política

Duka prega a humanização do trabalho

Gilmar Dias
| Tempo de leitura: 3 min

O recém-empossado coordenador da subsede de Bauru da Central Única dos Trabalhadores (CUT), professor Duílio Duka de Souza, está convencido de que é preciso humanizar mais o trabalho. Responsável pela coordenação de 18 sindicatos e mais a atuação da entidade em cerca de 60 municípios da região, Duka diz que o processo de humanização do trabalho só será atingido com a inclusão social.

“É preciso lutar pela estrutura organizativa, fortalecendo as políticas do setor, sobretudo a formação e comunicação dentro do movimento sindical. Nas esferas da sociedade civil, é preciso desenvolver trabalhos de parcerias. É preciso desenvolver o trabalho visando a inclusão social”, reforça.

O dirigente sindical explica que o eixo prioritário da subsede da CUT é o desenvolvimento sócioeconômico com geração de emprego, distribuição de renda e salário.

“É preciso fazer o diálogo com a sociedade. Na administração pública, por exemplo, é preciso levantar o que é prejudicial à população. E a CUT vai atacar a má administração pública sempre com propostas e não a crítica pela crítica. Propostas alternativas vamos buscar em conjunto com os sindicatos filiados.”

O projeto de atuação do professor frente à entidade visa buscar a aglutinação sem restrições. “Acredito nisso. É possível praticar essa luta.”

Uma das primeiras medidas de Duka e sua equipe de trabalho é resolver o impasse com os bancos da cidade. “A CUT conseguiu um convênio com os bancos no qual os trabalhadores podem emprestar dinheiro a uma taxa menor. Mas há bancos em Bauru e região que estão boicotando, criando caso”, denuncia.

O dirigente sindical avisa que deverá acionar o governo federal e o Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES). “Por que o BNDES? Porque na hora que esse bancos precisam de dinheiro vão buscar no BNDES. Se há uma medida provisória editada pelo governo federal e não está sendo cumprida, não há porque o BNDES dar dinheiro a esses bancos”, defende.

Embora na região de Bauru não exista registros oficiais osbre o assunto, Duka diz que a subsede da CUT vai ficar de olho no trabalho escravo e infantil.

“No Brasil hoje há cerca de 500 mil crianças e adolescentes, com idades entre 5 e 17 anos, que estão no trabalho doméstico. Desse percentual, algo em torno de 90% é do sexo feminino. Dessas 500 mil pessoas, 65% são afrodescendentes. Dá para focalizar que a miséria tem cor”, diz.

O coordenador da subsede cita os lixões como abrigo do trabalho infantil. “É a exploração do ser humano. Se já não bastasse isso, existe a exploração sexual. As pessoas não contam. Têm medo. Isso é exagerado no Brasil.”

Avaliação

O sindicalista Paulo Vieira Lima, antecessor de Duka no comando da subsede, avalia que a sua gestão priorizou a transformação da CUT em uma entidade cidadã. “Participamos de todos os grandes problemas que envolveram a comunidade. Tivemos a oportunidade de realizar atos, movimentos para a cidade de Bauru, como flexibilização de direitos, cassação de vereadores e de prefeito.”

Ele destaca também os manifestos realizados contra a adesão do Brasil à Área de Livre Comércio das Américas (Alca). “A Alca vai flexibilizar e piorar a situação dos trabalhadores latino-americanos. Ela ainda não está clara para o Brasil.”

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