Passeando pelos bairros de Bauru no início da manhã ou fim de tarde é possível observar muita gente caminhando em ruas, avenidas, praças, bosques e rodovias. Na maior parte das vezes, entretanto, as pessoas praticam o footing em locais inadequados, indicando que faltam espaços com essa finalidade na área urbana da cidade.
Não é difícil encontrar aqueles que andam sobre o asfalto de avenidas ou nos acostamentos de rodovias. Muitos locais eleitos pela população para a prática da caminhada não oferecem sequer calçada. Outros são tomados por mato alto ou obstáculos, como buracos.
Os adeptos à atividade são moradores dos mais diversos bairros da cidade, tais como Jardim Eldorado, Vila Industrial, Parque das Camélias, Jardim Bela Vista, Núcleo Octávio Rasi, Núcleo Geisel, Jardim Cruzeiro do Sul e Núcleo Mary Dota, entre outros.
Eles cobram da administração pública mais espaços destinados ao footing em Bauru, semelhantes ao da avenida Getúlio Vargas, que contorna a pista do Aeroclube de Bauru, ou ao bosque da comunidade Jardim Dona Sarah, na Vila Universitária.
O secretário municipal de Esportes e Lazer, José Roberto Franco, o Sapé, reconhece que a população caminha nos mais diversos lugares. “O pessoal anda em volta do DER (Departamento de Estradas e Rodagens, no Jardim Cruzeiro do Sul), na Nuno de Assis, na avenida do Mary Dota, no Núcleo Nova Esperança, no bosque do Geisel”, diz.
Ele afirma que, exceto pelos dois bosques da comunidade, na Vila Universitária e no Núcleo Geisel, Bauru não dispõe de locais adequados ao footing. “Se você for ver bem, apropriado não tem nenhum. Temos só os dois bosques”, afirma.
Na opinião do secretário, um espaço próprio para a atividade implica na presença de um paramédico e um professor de educação física, que faria o acompanhamento das pessoas. “É o certo. Não é utopia”, salienta.
Sapé também critica a calçada da Getúlio Vargas utilizada para caminhada. “Aquilo é uma calçada larga, não é uma pista apropriada”, avalia.
Para incrementar a pista, ele afirma que a Semel providenciará, em breve, marcadores de metragem para que o usuário possa calcular a distância percorrida.
“Ali tem uma vantagem: o comércio é só de um lado. Do outro lado, tem o talude do aeroporto. Não tem problema de gente entrando e saindo, cruzando a sua frente. Então, você anda à vontade”, ressalva.
Outro local que o secretário critica é o Parque Vitória Régia. “O Vitória Régia, na calçada da Nações Unidas, não é um local apropriado para andar. Primeiro, porque tem trânsito na lateral. Bauru não tem um local protegido do trânsito, a não ser os bosques fechados”, reforça.
A idéia de construção de mais espaços destinados à atividade física na cidade é elogiada pelo titular da Semel. “É excelente. É lógico que tinham que implantar vários lugares desses. Mas, para implantar vários lugares desses, tem que ter infra-estrutura”, justifica.
Sapé alega, contudo, que para levar ações novas à periferia, por exemplo, a prefeitura deve esperar uma manifestação da população. “Não adianta chegar no lugar e implantar. Na periferia, você tem que ser provocado. Você não pode ir voluntariamente. Em bairro, a gente tem que esperar. Se a gente fizer uma coisa sem a iniciativa deles, complica. Fracassa”, avalia.
Enquanto não há opções, o secretário convida a população a caminhar nas áreas internas dos dez distritais de Bauru que atendem as regiões da Vila Giunta, Jardim Bela Vista, Jardim Araruna, Parque Redentor, Núcleo Mary Dota, Vila Ipiranga, Vila São Francisco, Núcleo Gasparini, Vila Dutra e Jardim Petrópolis.