Saúde

Higiene é primeiro passo do tratamento

Sabrina Magalhães
| Tempo de leitura: 3 min

Livrar a boca de resíduos orgânicos é o primeiro passo para acabar com a halitose. Segundo o cirurgião-dentista Jonas Cardoso, 90% a 96% dos casos são desencadeados por bactérias que se alojam na boca para alimentar-se destes resíduos. Por isso, cuidar da higiene é fundamental.

Ele comenta que todas as pessoas têm uma quantidade enorme de microorganismos espalhados pela boca. Em condições normais, eles entram e saem pela respiração ou durante a fala. Outra parte deles é “varrida” pela saliva - um lubrificante e higienizador natural da boca.

Acontece que quando as pessoas comem, a boca retém resíduos dos alimentos, que podem ficar presos sob próteses, entre os dentes ou na base da língua. Paralelamente a isso, as mucosas (pele que reveste a boca internamente) também sofrem uma descamação natural e parte do tecido epitelial fica retida na boca.

“Para as bactérias, esse material orgânico serve de alimento. Então, quando encontram esses resíduos, as bactérias tendem a se alojar na boca. Ao metabolizar esse material, os germes liberam no ar os chamados compostos sulfurados voláteis (CSV). São gases que contêm enxofre e deixam no ar um cheiro semelhante ao de ovo choco, que gera o mau hálito”, descreve.

O conjunto de resíduos orgânicos e bactérias forma uma substância denominada saburra - uma placa bacteriana que acumula-se principalmente na superfície da língua. As papilas responsáveis pelo paladar formam um tecido semelhante a um tapete felpudo. A saburra aloja-se entre as papilas, formando uma crosta branca ou amarelada sobre a língua.

“Se sabemos que a saburra é a principal causa da halitose, nossa primeira medida deve ser eliminá-la. E isso só pode ser feito com a correta higienização da boca (veja no quadro abaixo)”, recomenda.

O problema é que a maioria das pessoas limita-se a escovar os dentes. Algumas até usam o fio dental e o enxaguante, mas a imensa maioria ignora a necessidade de se limpar a língua, que é onde os resíduos e as bactérias aparecem em maior concentração.

A especialista Olinda Tárzia lembra que existem vários limpadores linguais disponíveis no mercado. Mas ela defende que as fitas flexíveis são as mais eficientes, pois conseguem alcançar os pontos mais difíceis da língua.

“Se você olhar no espelho, vai ver duas verrugonas nas extremidades da língua, no fundo da boca. São as grandes papilas. Ao lado delas, há outras papilas menores, que formam um ‘V’ no sentido da garganta. As fitas são as únicas que conseguem chegar até o meio desse ‘V’”, justifica.

Segundo os especialistas, a limpeza deve ser feita tracionando-se o limpador sobre a língua trazendo a sujeira de trás para a frente, num procedimento de raspagem. “Você puxa uma vez, duas, três, quantas forem necessárias, até perceber que o aparelho sai limpo”, explica Cardoso.

De acordo com Tárzia, pessoas que apresentam saburra leve conseguem resolver a halitose com essa higienização. Em casos mais severos, é preciso usar medicamentos antibióticos.

“É por isso que existe o mito de que problemas de estômago causam mau hálito. A pessoa trata o estômago e a halitose desaparece. Claro, pois o remédio vai matar todas as bactérias anaeróbicas que estiverem alojadas no organismo”, explica.

Segundo ela, estudos mostram que o que acontece é exatamente o contrário. “A saburra é um concentrado de bactérias. Dentre elas, muitas são patogênicas. Se elas forem aspiradas, podem desencadear uma pneumonia. Se forem engolidas, podem causar uma úlcera e assim por diante. Por isso, é fundamental eliminar a saburra”, reforça.

Paralelamente à higienização e aos antibióticos, os médicos orientam a manutenção de todos os outros hábitos saudáveis defendidos universalmente, incluindo uma dieta balanceada e exercícios físicos moderados. Todos esses fatores influenciam diretamente no aparecimento da halitose.

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