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Passar para a 1ª série traz surpresas e amizades

Roberta Mathias
| Tempo de leitura: 4 min

O fim do ano passou tão rápido que muita gente pequena esqueceu que este era o ano de ingressar na 1.ª série. Depois de brincar muito nas férias, o frio na barriga começa a apertar a turminha que vai deixar as delícias do pré para, finalmente, entrar na 1.ª série. As mudanças, em princípio, parecem assustadoras. Novo professor, às vezes nova escola, outros amigos, ensino diferente... Como será essa nova fase da vida?

A garotada sente uma mistura de alegria, ansiedade... e medo. É, pode parecer bobagem, mas é nessas horas que aparece uma sensação estranha, um friozinho na barriga, que pode até ser medo. Mas não é nada tão diferente assim.

A psicopedagoga e professora Thaís Cristina Rodrigues, que faz mestrado na Universidade Federal de São Carlos na área de educação, explica com naturalidade essas mudanças. “Criança vai deixar o tanque de areia e o parquinho para passar mais tempo em sala de aula. Isso exige bastante criatividade do professor, que busca criar um ambiente também bastante agradável.”

Ela é professora na Emef Santa Maria ao lado de Eulália Nunes de Almeida Serpa, que é professora há 33 anos. Elas contam que é bastante comum a criança estranhar a passagem do pré para a 1.ª série, mas informam essa sensação de “estranhamento” passa rápido.

“É só encontrar um amiguinho na escola e pronto. A criança sente-se mais à vontade, começa a participar”, diz Eulália.

É comum os professores de 1.ª série não serem muito exigentes, principalmente na primeira semana de aula, que é um período de adaptação.

Eles querem quadras e elas o parquinho

Passar para a 1.ª série traz muitas vantagens, porém a maior “perda” é o parquinho. Principalmente as meninas sentem falta dos momentos de brincadeira no parque, em balanços, gangorras e escorregadores. Já os meninos descobriram a maior alegria da escola: a quadra de esportes. Para eles, a ausência do parquinho não fica tão evidente.

Fabrício Spoldário Júnior tem 7 anos e adorou encontrar a quadra de esportes. Ao lado dos novos amigos Gabriel Bruno, 6 anos, e Lucas Antoneli, 7 anos, ele aproveita os momentos de lazer na quadra. “A gente pode jogar basquete, futebol. É uma delícia”, comenta Fabrício.

Já as alunas Gabriela Serpa Sper, 7 anos, e Giovana Lelis Moralles, 6 anos, sentem bastante a falta do parquinho. “Eu gostava de ficar no balanço, no escorregador, agora não tem mais”, comenta Gabriela.

“Eu passava meu tempo brincando no parque, na terra. Agora tem educação física”, explica Giovana.

Outra surpresa é a rapidez dos professores. “A professora da 1.ª série escreve mais rápido, enche a lousa”, conta Fabrício. Às vezes, algum aluno pede para ela ir mais devagar.

Cantina: doce descoberta

Muitas crianças saem de Emeis ou escolas infantis e seguem para escolas maiores, onde há a tão cobiçada cantina. “Eu não resisto e compro salgadinhos e chicletes”, confessa Giovana. Ela não sente saudade do pré quando o assunto é recreio.

Fabrício comenta: “Antes era a merenda ou o lanche de casa, agora tem a cantina. Não é todo dia que eu compro, mas é muito bom!”

Acolher novos amigos

É comum encontrar muitos novos amigos na 1.ª série, principalmente com a mudança de escola. Exitem aqueles que não sentem dificuldade em fazer amizade, como o Fabrício, que rapidinho já descobriu novos e velhos amigos na Emef Santa Maria, onde estuda.

Porém, algumas crianças não têm a mesma facilidade, às vezes choram e sentem-se entristecidas nos primeiros dias de aula. É nesse momento que a garotada pode ajudar. Receber bem um novo colega de classe pode fazer nascer uma nova amizade.

Gabriel conta que no primeiro dia deste ano três coleguinhas ficaram muito assustados e até choraram. “Aí é preciso chamar para brincar”, lembra o menino.

Brincar é o melhor remédio encontrado pelas crianças para tornar a mudança mais fácil e saborosa. Assim, eles se conhecem melhor, descobrem afinidades e novas brincadeiras.

Cada criança tem algo diferente para contar. No começo a turma pode parecer quietinha, os alunos mal se conhecem. Passados poucos dias já dá para perceber a mudança. A garotada conversa mais, ri mais e se diverte ainda mais. É claro que nem todo dia é dia de festa, então, é preciso controlar os ânimos na hora de estudar. “Eu sou muito falante mesmo. É difícil ficar quieto”, confessa Fabrício.

“A gente acaba ganhando novos amigos. Agora é mais fácil”, diz Lucas, que já conhece um monte de gente, apesar de ter tido apenas uma semana de aula.

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Aprender a ler

Apesar de algumas crianças saírem do pré dominando a leitura, muitos “desenrolam” mesmo na 1.ª série. Aprender a ler é quase um marco na infância. “O importante é aprender tudo no ritmo de cada um, sem pressa ou estresse, sem forçar o aprendizado”, diz a professora Eulália.

“Chegar aos 7 anos é a idade do desenvolvimento, mas algumas crianças começam a se desenvolver antes na leitura”, comenta a professora.

“Ao aprender a ler, a criança começa a ter mais interesse pela biblioteca, ao acesso a livros e vídeos.”

A ansiedade de aprender a ler e escrever fica estampada no rosto de muitas crianças. “Eu quero aprender logo, já estou quase”, conta Lucas. Ele divide com os amigos a vontade de aprender a ler.

A Gabriela gosta de escrever, mas ainda não dominou a leitura. “Não vejo a hora de saber ler”, diz ansiosa.

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