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Mulher inspirando paz...


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Ainda não se completou todo o esquema de escolha e distribuição dos prêmios Nobel, existindo para recebê-lo mais figuras que em 2003 se destacaram com brilhantes atuações em seus múltiplos campos de trabalho, como governo, legislação, segurança pública, fraternidade, saúde, educação, profissões etc, fazendo-o em total benefício da carente humanidade. Contudo, o principal já foi. Tido principal por dizer respeito àquilo que se considera o mais ardente anseio existente nos corações e pensamentos de quantos vivem nesta terra bendita. É ele a paz, sim, a paz, sonhada por quantos estejam dedicando a sua existência, ou lampejos dela, às legítimas causas da esperança, sobrando-lhes, por isso, o reconhecimento internacional de sua excelsa missão. Uma mulher, invulgar, extremamente bonita, surpreendentemente simpática (elogios que formulo sem querer, nem um pouquinho, enciumar minha também atraente esposa!), é a muito merecida receptora do fabuloso Nobel da Paz, que disputou com 164 candidatos, de ambos os sexos e várias idades, entre os quais o papa João Paulo II e o nosso presidente Luiz Inácio Lula da Silva, além do presidente dos poderosos Estados Unidos e do eclético primeiro ministro britânico, protagonistas inveterados da recente guerra contra o Iraque. Nome da distinta? Shirin Ebadi, iraniana que se tem batido com denodo por melhor qualidade de vida para mulheres e crianças no seu enorme país e em muitos outros, usando seu manifesto destemor e sua elogiável competência de advogada, juiza, escritora e ativista, “mediante o que luta de modo claro e obstinado pelos sagrados direitos humanos, além de todas as fronteiras, não obstante ameaças de retaliações que recebeu e continua recebendo”, conforme relato indesmentível da imprensa, historiando que com sua coragem ela defendeu, entre 1990 e 2000, familiares de escritores e outros intelectuais assassinados no Irã. Tornou-se, por isso, autêntico modelo para a cultura universal, a partir de sua condição de primeira mulher a obter o Nobel desde que ele foi criado em 1901. Modestíssima, 56 anos, sente-se perplexa com a esplendorosa conquista, mas não abre mãos de sua energia, que há-de impulsioná-la por muito tempo rumo a novas e vigorosas bem-aventuranças a favor de todos os povos do mundo. Está entregue a cobiçada láurea a quem tem razões insofismáveis para servir de espelho fiel para os que realmente o necessitem neste universo tão carente de paz e concórdia. Diz o ditado que “beleza não vai à mesa”, mas a de Shirin, associada que está à fecundidade do intelecto que lhe é inata, deve ir sem dúvida por merecimento e justiça, pois que seu lugar lhe está reservado. Eis a nossa opinião.

O autor, N. Serra, é o jornalista responsável do JC e delegado regional da Associação Paulista de Imprensa e da Ordem dos Velhos Jornalistas do Estado.

“Feliz o ser que vive como a árvore, plantada junto às correntes das águas, cujas folhas jamais cairão e todas as coisas que ele fizer serão consideradas santas. Salmo 1.3”.

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