A 5.ª Circunscrição Regional de Trânsito (Ciretran) de Bauru realiza nesta quinta e sexta-feira o primeiro leilão público deste ano com automóveis apreendidos. Hoje, o pátio do órgão está aberto à visitação dos lotes. Os 641 carros e motos, vários em bom estado de conservação, serão vendidos sem documentação nem número de chassi válidos, ou seja, apenas para reaproveitamento de peças ou como sucata.
De acordo com o diretor da Ciretran, Abel Fernando Paes de Barros Cortez, isto ocorre para evitar que os veículos sejam adquiridos por quadrilhas que adulteram a numeração de carros roubados ou furtados usando o de veículos legalizados.
“O carro nem é o que interessa (para as quadrilhas), mas sim a documentação. É feito o recorte do chassi, que seria transferido para o veículo roubado. Usando a documentação adulterada, eles conseguem vendê-lo como um carro “quente” (com documentação em ordem)”, explica o crime.
Este tipo de procedimento também é realizado por quadrilhas que compram veículos envolvidos em acidente em companhias de seguro ou mesmo de terceiros. No leilão, os veículos são entregues sem documentação, com sua numeração bloqueada nos sistemas do Departamento de Trânsito (Detran) e Registro Nacional de Veículos Automotores (Renavan) e com os registros de chassi e motor destruídos, justamente para evitar a adulteração de carros roubados e furtados.
Cortez observa que, segundo a legislação, os compradores poderiam adquirir carros semi-novos em leilões públicos, desde que arcassem com todas as despesas referentes ao veículo: multas, licenciamento e despesas do pátio da Ciretran. “Mas não é o caso, não temos nenhum nestas condições. Normalmente, quando um carro novo é apreendido, o proprietário vai atrás para recuperar”, diz.
O diretor da Ciretran aponta que moradores da zona rural também poderiam adquirir os veículos, mas apenas para transitar dentro de suas propriedades. “Eles só não podem circular em via pública”, esclarece.
Estarão disponíveis no leilão 421 carros e 220 motocicletas. São veículos apreendidos há mais de 90 dias, cujos proprietários não tomaram qualquer providência nem manifestaram interesse em reavê-los. Os bens serão vendidos um a um, para quem oferecer o maior lance. A liberação ocorre a partir da próxima terça-feira e os arrematantes terão dez dias para retirar o veículo.
Ontem, diversas pessoas já visitaram o pátio da Ciretran para olhar os veículos à disposição. José Donizete Torres trabalha com venda de peças automotivas e comenta que sempre encontra lotes que lhe interessam. “O leilão sempre vale a pena. Já tenho comprado muitas coisas e tenho tido retorno. Comprar as peças aqui sai mais em conta do que em revendedor”, afirma.
Já Rodrigo José Teixeira procurava por algumas peças para seu próprio carro. “Tenho um Opala e quero ver algumas coisas para ele. O preço em leilão é melhor. Se eu fosse comprar um motor, ia pagar mais de R$ 1 mil, mas aqui, acho que pago menos. Nunca comprei nada em leilão, mas me interessei e quero participar”, anima-se.
Cortez anuncia que os preços mínimos dos lotes foram estabelecidos através de avaliação das condições do veículo. Eles serão entregues no estado em que se encontram no pátio e as despesas com transporte são de responsabilidade do comprador.
• Serviço
Os veículos estão à disposição para visitação hoje, no pátio da Ciretran, que fica na rua Fortunato Resta, 11-35, no Jardim Jussara, das 9h às 11h e das 13h às 16h.
O leilão ocorre nesta quinta e sexta-feira, a partir das 10h, também no local.