O Partido dos Trabalhadores (PT) contesta as insinuações publicadas em órgãos de imprensa sustentando que a morte do prefeito de Santo André, Celso Daniel, ocorrida em janeiro de 2002, estaria relacionada a um suposto esquema de corrupção. O inquérito policial relativo à morte de Celso Daniel, concluído pela Polícia do Estado de São Paulo (DEIC e DHPP), pela Polícia Federal, cuja denúncia foi assinada pelo Ministério Público, definiu os autores do seqüestro e assassinato do prefeito e a motivação de crime comum. Convém lembrar que a Polícia do Estado de São Paulo era, na época do assassinato do prefeito e continua sendo até hoje, comandada pelo governador Geraldo Alckmin, do PSDB, partido adversário do PT. Já a Polícia Federal era comandada pelo governo do então presidente Fernando Henrique Cardoso, também do PSDB. O Ministério Público, por sua vez, é um órgão do Poder Judiciário, independente do Executivo e sem ligações com partidos políticos.
O governador Geraldo Alckmin, inclusive, capitalizou politicamente, na campanha para sua reeleição ao governo do Estado, a competência das polícias por terem esclarecido as mortes dos prefeitos petistas de Campinas, Toninho do PT, e de Santo André, Celso Daniel. Acrescente-se que no dia 22 de janeiro de 2002, o PT enviou carta ao então presidente da República, Fernando Henrique Cardoso, assinada pelo seu presidente de honra Luiz Inácio Lula da Silva e pelo então presidente do Partido, José Dirceu, solicitando que as investigações sobre a morte de Celso Daniel fossem ampliadas, inclusive com o concurso da Polícia Federal (...)
No início da campanha eleitoral de 2002, setores do Ministério Público e pressões políticas de bastidores tentaram reabrir as investigações a partir de familiar de Celso Daniel, defensor de empresa privada de transporte público. Em 2003, às vésperas de ano eleitoral, ocorreu a reabertura do processo em segredo de Justiça, a partir de promotores de Santo André em investigação marcada pelo sigilo. Presos envolvidos no crime foram ouvidos nos presídios por promotores com oferecimento do prêmio por delação. Foi a partir desses depoimentos que os promotores que reabriram o caso firmaram suas atuais convicções. Estranhamente, ao menos um desses presos envolvidos, obteve o benefício da transferência de um presídio de segurança máxima para um presídio comum. Os depoimentos em segredo de justiça foram vazados para a imprensa exatamente burlando e desrespeitando o segredo de justiça. O PT, por não temer as conseqüências das investigações, defendeu e defende que o inquérito reaberto sobre a morte de Celso Daniel corra sem segredo de Justiça.
Por fim, o PT estranha o fato de que reportagens de jornais venham a ser publicadas sem que as autoridades policiais, delegados da Polícia Federal, do DHPP, do DEIC e do Ministério Público que participaram da conclusão do inquérito sobre a morte de Celso Daniel sejam ouvidas. O PT sempre defendeu uma investigação séria, competente e técnica sobre a morte de um de seus principais líderes. O que o partido não aceita é a intenção de atingir a imagem de alguns de seus dirigentes, do próprio partido e, principalmente, de Celso Daniel.
O autor, José Genoíno, é presidente nacional do PT.