Apesar de ainda não ter tomado contato com todos os agentes e projetos da unidade de Bauru da Febem, Celi Perpétuo garante que sua maior preocupação é com a educação e com a possibilidade de ressocialização dos adolescentes através das atividades pedagógicas.
“Acredito que tudo isto passa pela educação, mas ainda é prematuro adiantar algum projeto, porque preciso conhecer a fundo o que já vem sendo feito, as parcerias que a unidade já tem com instituições e com a sociedade civil. Depois, faremos os ajustes e elaboraremos novas iniciativas”, diz.
Segundo Perpétuo, muitos problemas de comportamento dos adolescentes da unidade são decorrentes do fato de todos pertencerem a famílias diferentes e não possuírem qualquer vínculo uns com os outros. Além disso, ela lembra que muitos garotos não estão acostumados a obedecer regras e com sua liberdade cerceada, eles só pensam em lutar para sair da unidade.
Por conta disto, entre os pontos que devem ganhar destaque em sua administração, Perpétuo garante que a participação das famílias dos internos é um dos itens essenciais para seu bom desenvolvimento na unidade. “A família tem que ser parceria, porque a instituição por si só, fracassa. Já existe um trabalho com as mães e queremos uma maior organização nesse sentido. Nós estamos preparando este filho para devolvê-lo à família, então o trabalho deve começar no decorrer da internação”, explica a nova diretora.
De acordo com a diretora das unidades do Interior e Litoral, a maioria dos adolescentes chega à Febem conturbados pelo uso de drogas, pela pressão da sociedade e do grupo do qual ele participava. “Ele não é vítima, ele é o causador da vítima. Mas nosso papel não é julgá-lo e sim trabalhar o resgate de sua ressocialização. Ele precisa se encontrar para ter respeito pelos outros. É um trabalho de muitas cabeças, muitas mãos e muita paciência, e a Celi traz isso da experiência nas escolas”, comenta Silva.