Tribuna do Leitor

As gafes mais recentes


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Lá no Aurélio, você encontrará: gafe (do fr. gafe) S.f. Ação e/ou palavras impensadas, indiscretas, desastradas; mancada. Suponhamos que ao chegar em um velório alguém dê parabéns à família do morto. Eis uma gafe imperdoável.

Acontece que todo mundo comete gafe, entretanto, quando ela parte de pessoas mais notórias, a mídia fica de olho e faz desses episódios uma festa. Há pessoas que são useiras e vezeiras em cometer gafes.

Como estamos constantemente lendo jornais, vendo tevê, lendo revistas etc., vamos colecionando, ao longo dos dias, aquelas gafes mais desconcertantes. No show de aniversário de São Paulo, comandado pela Rede Globo, Ana Maria Braga, condutora do programa, perguntou ao Nei Matogrosso: - Onde você nasceu? Ao ouvir a resposta curta e grossa, ela se mancou e passou a fazer perguntas para outros entrevistados.

Gisele Bündchen, nossa mais famosa modelo, deu dia desses uma entrevista aos repórteres e, no meio de suas declarações, pediu uma garrafa de guaraná natural, porque, disse ela, diet contém alguns elementos químicos que fazem mal à saúde. Acontece que atrás dela estava um enorme painel da Ambev, sua patrocinadora, que, por sua vez, fabrica também guaraná diet. Que trombada, hem?

Hebe Camargo, num de seus programas semanais, entrevistou, entre outras, Natália Timberg, a respeito de uma peça que essa atriz estava encenando. Inquirida a respeito, Natália Timberg, uma pessoa muito culta (já tivemos a oportunidade de conversar com ela), pôs-se a explicar que se tratava de um tema psicanalítico, que se aproveitava de uma variante, a de Lacan e dos lacanianos. Hebe arregalou os olhos e ficou boiando, como se diz na gíria, sem entender bulufas. Foi quando a Luana Piovani, que também estava lá, bateu no ombro da apresentadora e disse: - Hebe, seu negócio é a Disney! Mas pensam que o episódio parou aí? Não contente com sua mediocridade, no programa seguinte, dona Hebe voltou ao assunto: - A Natália veio aqui falando em Lacan, lacanianos, eu não entendo nada de latim! E aí vai mais uma da chamada “dama da televisão”...

Guardamos, porém, duas gafes do presidente (e bem que poderiam ser mais!), para encerrar o assunto de hoje. A primeira: o presidente recebeu um livro sobre a vida de Zeca Pagodinho, das mãos do próprio, biografado. Ao que Lula retrucou: - Nossa, Zeca! Eu não sabia que você era escritor também! Então, Zeca Pagodinho, com toda aquela cultura que Deus lhe deu, explicou ao nosso chefe não ter sido ele o autor do livro, que simplesmente passara dados para outra pessoa escrever por ele. A segunda? Durante discurso no Planalto (Lula não pode ver microfone que se assanha logo), ao apresentar o governador do Piauí, Wellington Dias, um dos Estados mais atingidos pelas chuvas, disse: “O governador Wellington está aqui por causa das enchentes? Ficou com medo de morrer afogado?” Nem é preciso concluir que a platéia, formada por 200 pessoas, caiu no mais profundo silêncio. Por isso se diz que calar é ouro.

O cuidado no falar deveria ser inerente ao ser humano. Quem fala demais, geralmente, acaba caindo em desgraça ou bancando o polichinelo. Não podemos nos furtar a uma paráfrase de um poema de Drummond: conviva com suas palavras, antes de pronunciá-las, não force a palavra a desprender-se do limbo e tampouco colha do chão a palavra que se perdeu. Seria melhor se muitas palavras permanecessem para sempre em estado de dicionário.

Dra. Maria da Glória de Rosa - mgderosa@bol.com.br

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