Tribuna do Leitor

Distinto Nadyr


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Continue dirigindo sua abençoada pena em favor dos moradores que estão sendo diuturnamente massacrados pela falta de consideração de botequineiros que se servem das vias públicas para nelas acomodarem seus embriagados fregueses que, além de perturbarem incessantemente os vizinhos, ainda dirigem gracejos, senão ofensas, aos transeuntes que por detestarem passar entre ou próximo de desordeiros, infiltram-se entre os carros estacionados, emitidores de músicas elevadíssimas, próprias de retardados, cujos sons não passam de indesejado bater de bumbos ensurdecedores, para arriscarem a vida, entre os velozes carros, em busca da calçada oposta, da qual, não muito distante, têm que se submeter a novos sacrifícios por encontrar outros inescrupulosos botequineiros inescrupulosos e usurpadores das calçadas que, por lei, por direito e por justiça foram construídas exclusivamente para uso dos transeuntes.

É triste citar que os indefesos moradores após serem submetidos às determinações de seus patrões, durante horas e horas de trabalho, ainda tenham que ziguezaguear do local de trabalho até a sua pequena moradia, na qual, após o devido banho, perdem o direito de usufruir a brisa da noite, perfumada pelas flores do seu pequeno, mas bem cuidado jardim, visto que necessitam de se recolher e de trancafiarem as portas e as janelas a fim de poderem dialogar com seus familiares, em decorrência das incessantes badernas promovidas pelos seus vizinhos republicanos.

Ao contrário do que ocorre com os dos trabalhadores, os excelentes ordenados dos nossos legisladores permitem que os mesmos residam em enormes domicílios, localizados em espaçosos terrenos que facilitam o esmaecimento do barulho que, ainda assim, os transtornaram como muito bem comprovam suas controvertidas decisões no tocante as recentes cassações repudiadas por outras autoridades que não sabemos se residem em locais ainda mais barulhentos ou se residem em locais completamente desprovidos de barulho.

A verdade é que ninguém está satisfeito com a baderna generalizada que se apoderou da nossa querida Bauru. Gente que presta, gente de bem detesta passar próximo dos rodeadores de botecos. Em casa não está dando para se ficar porque dado ao barulho dos republicanos não se ouve mais nada. As ruas tornaram-se totalmente muradas facilitando, em muito, a ação dos salteadores. É duro, triste e desumano o viver dos honestos bauruenses; já para os que não prestam, esse modo de viver é um prato cheio. Muito obrigado pela publicação.

Jesuíno Dias da Silva - RG 5.821.487

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