O terreno onde está localizada a antiga fábrica da Companhia Cervejaria Antarctica, desativada há cerca de cinco anos, está se transformando na nova fonte de preocupações para a polícia de Bauru. O fácil acesso à propriedade, que foi colocada à venda pela Ambev e conta com apenas um segurança, tem possibilitado que a área seja constantemente invadida.
No último domingo, a Polícia Militar deteve dois maiores de idade e 14 menores nas dependências da fábrica depois que quatro indivíduos suspeitos de uma tentativa de furto correram para dentro da propriedade. No local, foram encontrados tubos de tinta spray e latas de cola de sapateiro, entre outros produtos.
O delegado titular do 3º Distrito Policial (DP), Marcelo Haddad, afirma que locais como a fábrica desativada causam preocupação. “É uma questão de segurança pública. O proprietário precisa cercar e evitar a invasão de qualquer imóvel que esteja fechado, para que bandidos não furtem ou passem a freqüentar essas áreas”, argumenta.
Segundo ele, nenhuma ocorrência deste tipo havia sido verificada na fábrica até então. “Já havia acontecido em residências, com as pessoas entrando no quintal para usar drogas ou esconder produtos de furto, mas nesse local é a primeira vez”, recorda.
O comandante da 1.ª Companhia da PM de Bauru, capitão Benedito Roberto Meira, também se mostra preocupado com a atual situação da propriedade. “Seria interessante que aquela área fosse utilizada ou disponibilizada para alguém. Com isso, evitaríamos este tipo de problema”, opina.
Ele explica que a PM costuma receber chamados ocasionais do segurança da fábrica para averiguar a presença de estranhos no terreno, mas em nenhum deles foram encontradas tantas pessoas quanto no último domingo.
O presidente do Conselho Comunitário de Segurança (Conseg) Centro-Sul, Primo Mangialardo, afirma que o assunto será discutido na reunião de amanhã do órgão. “Como tínhamos conhecimento de que há um vigilante tomando conta daquela área, ficamos tranqüilos, mas agora surgiu esse caso e tudo mudou”, comenta.
Insegurança
A fábrica desativada tem poucos vizinhos, a maioria deles na rua Marcondes Salgado, justamente o local em que fica a guarita de segurança. Isso não impede, porém, que os moradores reclamem da situação de abandono da propriedade. “Os invasores costumam entrar pela linha férrea, que fica do outro lado, mas nada impede que eles cheguem até a nossa casa”, afirma o comerciante Carlos Eduardo de Oliveira.
A reportagem pode constatar, no início da semana, pelo menos três pontos em que o acesso às dependências da fábrica pode ser feito facilmente. Além de um buraco na cerca que fica voltada para a avenida Nações Unidas, há duas grandes aberturas no muro que faz divisa com a linha férrea.
Por uma delas, foi possível notar a presença de duas pessoas estranhas nos fundos da propriedade. O terreno apresenta mato alto e parte dos prédios em que funcionava a linha de produção da empresa está completamente abandonada.
A assessoria de imprensa da Ambev informou que a empresa aguarda um comprador para a fábrica e que uma vistoria será feita para verificar a necessidade de possíveis reparos para impedir que o imóvel seja invadido.
A antiga fábrica da Companhia Cervejaria Antarctica já foi palco, em agosto de 2001, de um homicídio. Maria de Fátima Morijo, então com 46 anos, foi assassinada a pedradas pelo vigia noturno da empresa, Evandro Silva Rodrigues.
Na época, ele contou à polícia que teria conhecido a vítima em um bar próximo à fábrica e que, juntos, seguiram para a guarita com a intenção de manter relações sexuais.
Ao saber que Rodrigues não teria dinheiro para pagar pelo programa, Morijo passou a se desentender com ele. Conforme confessou à polícia, o vigia pegou um bloco de concreto e acertou a cabeça da vítima quatro vezes.
Em seguida, ele arrastou o corpo de Morijo até uma valeta de escoamento de água e o cobriu com folhagens secas.
Ao avistar manchas de sangue na guarita, o vigia do período da manhã desconfiou de algo errado e chamou a polícia, que chegou até o corpo. Localizado em casa, Rodrigues tinha respingos de sangue na camisa de trabalho. Os documentos da vítima também estava na residência e, diante das evidências, ele acabou confessando o crime.