Polícia

Acidente na Bauru-Marília mata cinco da mesma família

Luciana La Fortezza
| Tempo de leitura: 4 min

Cinco pessoas da mesma família morreram na madrugada de ontem na primeira tragédia do ano registrada na rodovia João Ribeiro de Barros (Bauru-Marília ou SP-294), também conhecida por “rodovia da morte”. O destino deles era São Paulo, onde participariam de um velório, mas foi interrompido por uma colisão, num dos trechos mais perigosos da via, próximo ao acesso da Vila Dutra, em Bauru.

A família de Salmorão (região de Adamantina, a 285 quilômetros de Bauru) viajava no Escort branco, placa BWB 9063, que transitava pela rodovia sentido Marília-Bauru, quando atravessou a frente do caminhão Mercedes Benz, placa BWD 0326, que seguia no sentido contrário. O veículo de carga de Bastos transportava produtos diversos e era dirigido por José Ferreira Dias, que não sofreu ferimentos.

As informações foram transmitidas por ele à Polícia Rodoviária (PR), que registrou o caso como colisão transversal. O impacto da batida foi tão violento que o carro foi arrastado por cerca de 40 metros no acostamento da pista e ficou totalmente destruído.

Ronaldo Adriano Ribeiro Brito Goes, 23 anos, João Oliveira Goes, 54 anos, Elisandre Barbosa, 18 anos, Emerson da Silva Brito, 19 anos, e Iraci Ribeiro de Brito Goes, 49 anos, morreram na hora. Os corpos, que ficaram dilacerados, foram lançados para fora do automóvel, informa a PR.

Por essa razão, os policiais não conseguiram identificar o condutor do carro no momento do acidente, registrado aos 20 minutos de ontem. Porém, de acordo com Tiago Ribeiro de Brito - pai de Emerson e irmão de Iraci -, apenas João era habilitado para dirigir.

“Ou ele dormiu ou não dá para saber o que aconteceu. O carro, que era de 95, estava em bom estado porque eles sempre viajavam e cuidavam (do automóvel). Eles devem ter saído de Salmorão umas três horas antes (do acidente). Eles iam para São Paulo por causa de uma sobrinha nossa, de 14 anos, que estava morrendo”, conta Tiago.

Drama

Segundo ele, a menina estava internada com sérios problemas pulmonares e teve morte cerebral confirmada anteontem à noite.

“Eu fiquei sabendo do acidente às 3 horas da madrugada quando estava no Instituto Médico Legal (IML) em São Paulo, tentando liberar o corpo (da menina). Minha mulher precisou ser hospitalizada de tão nervosa que ficou quando soube da notícia, que foi data de maneira muito direta. Deixei meu sobrinho lá e vim para cá (Bauru)”, lamenta.

Até as 16h de ontem os corpos ainda não haviam sido liberados pelo IML de Bauru. Até ontem à tarde, a previsão da família era de que o enterro fosse realizado hoje à tarde em São Paulo, porém antes os corpos seguiriam para Salmorão, onde seriam velados (leia mais ao lado). Apenas Elisandre, que era namorada de Ronaldo, seria enterrada no Interior.

As circunstâncias da tragédia que a vitimou, assim como os outros quatro, serão investigadas pelo 1º Distrito Policial (DP) de Bauru, onde um inquérito policial foi aberto. O motorista do caminhão envolvido no acidente será ouvido, assim como eventuais testemunhas. Em um mês o inquérito será enviado ao Fórum de Bauru.

Se o motorista do Escort for indicado como responsável pela colisão, o Ministério Público (MP) poderá pedir o arquivamento do caso. Mas se a culpa recair sobre o condutor do caminhão, ele será julgado por homicídio culposo (quando não há intenção), informa o delegado do 1º DP, Elizeu de Freitas Costa.

Caso seja confirmada a responsabilidade dele pela ocorrência, Dias terá de cumprir de dois a quatro anos de reclusão, pena que pode ser acrescida em dois anos, caso existam qualificadores, como por exemplo, recusa em socorrer as vítimas ou estado confirmado de embriaguez.

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Luto oficial

O prefeito da cidade de Salmorão (região de Adamantina, a 285 quilômetros de Bauru), José Luiz Rocha Peres, decretou luto oficial de três dias pela morte dos cinco moradores da cidade, que tem 5 mil habitantes. A administração pública municipal bancou o transporte dos corpos, que seriam velados ontem à noite no ginásio de esportes da cidade e depois seguiriam para São Paulo.

“O acidente abalou muito os moradores de Salmorão. Nunca passamos por uma tragédia parecida”, conta o prefeito, que era amigo pessoal da família. De acordo com ele, aos 80 anos, a mãe de Iraci recebeu atendimento especial de uma assistente social durante o dia de ontem. Também foi medicada com calmantes para conseguir enfrentar o drama.

“Ela (a idosa) deve mudar de cidade para ir morar com outro filho, em São Paulo. A cidade está muito comovida. Como o município é pequeno, todo mundo é amigo. Era uma família muito boa, que tinha uma loja de confecção na rua principal da cidade”, conta a professora aposentada Maria Aparecida Castilho.

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