Polícia

Vítimas fatais na rodovia sobem de 4 para 14

Luciana La Fortezza
| Tempo de leitura: 3 min

O número de vítimas fatais quase quadruplicou entre os anos de 2002 e 2003 na rodovia João Ribeiro de Barros (Bauru-Marília). No ano passado, 14 pessoas morreram vítimas de acidentes ao longo da via, sendo que no ano anterior o número foi de quatro. Os números reforçam o apelido de “rodovia da morte”, pecha que a persegue há anos.

As estatísticas da Polícia Rodoviária (PR) também apontam a via como a que mais mata na região, na comparação do número de mortes por quilômetro de extensão das estradas de abrangência do 2º Batalhão da PR, conforme matéria publicada pelo JC no final do ano passado.

“Toda rodovia de pista simples é perigosa porque a probabilidade de colisão frontal é maior”, ressalta o comandante do 1.º Pelotão da 1.º Companhia do 2.º Batalhão da PR, tenente Luiz Carlos Ferreira dos Santos.

Os riscos são ainda maiores porque a rodovia é similar a uma colcha de retalhos, com trechos duplicados, outros com pistas em condições precárias, além de trechos ainda em obras e intervalos com problemas de sinalização e visibilidade. A equipe do JC ainda constatou que o acostamento não é pavimentado e que a pista de rolamento tem muitos buracos.

Por essa razão, moradores de Bauru e Marília clamam há anos pela duplicação da rodovia, medida que poderia reduzir o número de acidentes na região. É o caso, por exemplo, do chapa Pedro Gomes dos Santos, que há dez transita pelo acostamento da Bauru-Marília e já presenciou um acidente com vítima fatal.

Reivindicação

“Enquanto a pista não for duplicada vai ser sempre assim. Quando a obra for concluída, vai morrer apenas o motorista displicente”, diz. Concordam com ele Fabiano Francisco da Costa e Jordam Marques de Almeida, moradores do Núcleo Habitacional Leão 13, que fica a pouco mais de um quilômetro do local do acidente de ontem.

Eles não ouviram o impacto da colisão entre o Escort e o caminhão, nem o barulho das sirenes das viaturas do Corpo de Bombeiros, que foram chamadas até o local para retirar os cinco corpos das ferragens a fim de facilitar o trabalho da Polícia Técnica. Nem por isso as reivindicações pela duplicação foram mais amenas.

Ontem, a assessoria de imprensa do Departamento de Estradas e Rodagem (DER), não soube informar sobre o andamento das obras de duplicação iniciadas em 1993. Elas deveriam ser realizadas de Marília para Bauru e vice-versa, mas apenas o trecho entre Garça e o distrito de Jafa estava em execução até o final do ano passado.

No início de novembro de 2003, o governador Geraldo Alckmin (PSDB) anunciou que a região entre os trevos de acesso ao núcleo Gasparini e à Vila Dutra só será duplicada depois que a obra atual for concluída e ainda assim somente se houver recurso disponível.

Até lá, os moradores da região terão de conviver com os riscos de acidentes, que podem ser amenizados se o motorista respeitar a distância mínima de segurança do veículo da frente, não viajar em condições físicas e emocionais precárias e garantir a manutenção mecânica do automóvel, informa o tenente Luiz Carlos.

“Também é bom evitar viagens à noite porque a visibilidade diminui bastante”, diz. Ele esteve no local do acidente que vitimou a família e informa que a pista não foi interditada na madrugada de ontem em decorrência da tragédia. Porém, 12 horas após o acidente ainda era possível sentir o forte odor de sangue que ficou no acostamento, que também acomodava destroços do automóvel, além de roupas e travesseiros banhados de sangue.

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