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Rapto do menino marca geração

Luciana La Fortezza
| Tempo de leitura: 2 min

O rapto do garoto Carlos Ramires da Costa em 1973, no Rio de Janeiro, marcou parte de uma geração que viu sua rotina ser alterada em função da comoção provocada pelo caso. Seis pessoas ouvidas pelo JC ontem à tarde e contemporâneas de Carlinhos confirmam as mudanças, sempre balizadas pela preocupação dos pais.

“Dá para dividir a criação das crianças daquela época em antes do Carlinhos e depois do Carlinhos. Antes do seqüestro, vivíamos soltas, livres para brincar mesmo em locais mais distantes. Depois, nossas atividades passaram a ser acompanhadas por adultos, sempre nas proximidades da residência”, conta Celina Monteiro, hoje com 43 anos.

A infância dela foi vivenciada na área rural, mas mesmo assim o medo chegava aos adultos pelas ondas de rádio.

Situação parecida, porém mais radical, vivenciou Vanderlei Ferreira da Costa, que tinha 12 anos naquele período. Ele conta que as crianças foram proibidas de brincar na rua e ficavam restritas aos quintais das casas.

“A história do homem do saco foi substituída pela história do Carlinhos. Foi uma arma encontrada pelos pais para não deixar os filhos saírem de casa”, relembra. Ele morava no Jardim Ferraz, em Bauru.

Confirma a estratégia Regina de Barros, atualmente com 60 anos. Ela tinha dois filhos de 6 e 8 anos na época e delimitou o quintal de casa como área para recreação. “Chorei muito com o caso porque tinha filhos da mesma faixa etária. Pensava que a mesma coisa poderia acontecer comigo. Meu filho também era loirinho, depois o cabelo também escureceu”, relata.

A preocupação de 30 anos ainda é presente na vida de José Argemiro Longo, que aos 43 anos educa dois filhos de 13 e 15 anos. “Hoje as crianças recebem informações do rádio e da TV, estão mais maduras. Mas na minha época não, todo mundo era amigo. Por isso minha mãe sempre conversava comigo e com meus irmãos para que a gente não falasse com estranhos, andasse sempre em grupo e prestasse informações caminhando”, conclui.

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