Ao completar 40 anos, a Diocese de Bauru quer estar mais próxima da sociedade. A proposta de avizinhação, que não é nova, visa incentivar o processo de evangelização através de pequenas comunidades, ou seja, de grupos de fiéis que promovem o envolvimento social onde residem.
“O objetivo é ir em busca dos católicos que nós estamos distantes, visando uma integração. O nosso compromisso é estar em permanente missão”, explica o bispo de Bauru, dom Luiz Antonio Guedes. De acordo com ele, a integração inclui qualquer pessoa, independentemente de sua religião e exige a descentralização dos trabalhos da Igreja.
A proposta consta no 7º Plano Diocesano de Pastoral, que baliza e ajuda a operacionalizar as ações da Igreja. O plano prevê a formação de pequenas comunidades como células missionárias.
“Tem que haver um relacionamento fraterno na comunidade, que vai além da superficialidade e amplia a intimidade. As pessoas precisam se ajudar mutuamente”, enfatiza o bispo.
Dentre as atividades atribuídas às pequenas comunidades estão, por exemplo, a celebração do terço, reuniões para o estudo da palavra de Deus e orações. Dom Luiz Antonio Guedes não soube informar quantos grupos já existem na diocese, porém só na Paróquia de Santa Rita são 39, agrupadas em nove setores, de acordo com a proximidade dos endereços.
“Isso não calcula-se em números, mas mede-se pela qualidade. O Plano Diocesano de Pastoral é amplo e temos vários outros projetos importantes”, diz dom Luiz Antonio, responsável por 40 paróquias, distribuídas em 14 cidades, incluindo Bauru.
História
Quando foi criada, em 14 de fevereiro de 1964, a Diocese de Bauru tinha apenas 18 paróquias em 12 municípios. Ela foi instalada definitivamente no dia 17 de maio do mesmo ano, quando tomou posse seu primeiro bispo, dom Vicente Ângelo José Marchetti Zione.
Seis anos depois, em agosto de 1970, a Diocese recebeu seu segundo bispo, dom Cândido Padin. O terceiro, foi nomeado em setembro de 1990. Dom Aloysio José Leal Penna foi bispo de Bauru até junho do ano 2000.
Em agosto do mesmo ano, a administração da diocese ficou sob a responsabilidade de monsenhor Enedir Gonçalves Moreira, pároco da Paróquia Universitária do Sagrado Coração de Jesus, designado para a função de administrador diocesano, a partir da eleição realizada pelo Conselho de Presbíteros da Diocese.
Apenas em 24 de outubro de 2001, o Papa João Paulo II anunciou a nomeação de dom Luiz Antonio Guedes como novo bispo da Diocese de Bauru. Sua posse foi celebrada no dia 23 de dezembro de 2001. Conforme o JC publicou na época, dom Luiz era bispo auxiliar da Arquidiocese de Campinas e bispo de Martuba.
É ele quem está organizando as festividades em comemoração à data, que vai contar com uma missa solene (veja quadro nesta página), quando o seminarista Agnaldo Pereira será ordenado diácono. Em grego diaconato significa serviço. Este ministério é a etapa que antecede em alguns meses a ordenação sacerdotal.
“Na dimensão espiritual, de consagração, de uma entrega a Cristo e a Igreja, o diaconato é nosso sim definitivo”, explica Agnaldo. A ordenação sacerdotal está prevista para a metade deste ano.
• Serviço
Outras informações sobre as pequenas comunidades e o 7º Plano Diocesano de Pastoral podem ser obtidas através do site www.bispadobauru.org.br
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Tradição
Padre há 45 anos, a história de monsenhor Almir Cogiola se confunde com a da Diocese de Bauru. Ele acompanhou toda a criação da administração eclesiástica na cidade e o trabalho desenvolvido pelos quatro bispos nomeados até hoje. Trabalharam com ele desde o início os monsenhores Ivo Martineli, João Antonio Domingos e Darcy de Almeida Pinto.
Monsenhor Cogiola atuou nas paróquias São Benedito e Divino Espírito Santo e está há sete anos na Santa Rita e tem vivenciado as mudanças de mentalidade implementadas a partir do Concílio Vaticano II (reunião de toda a igreja). A seguir os principais trechos da entrevista.
JC – Hoje as pessoas estão mais receptivas à palavra de Deus?
Cogiola - Quem está na comunidade, sim. Por isso que a gente diz que é importante as (pequenas) comunidades porque são mais receptivas e percebem muito mais a palavra de Deus.
JC - O senhor percebe alguma diferença na conduta dos colegas atuais?
Cogiola - Não. Diferença não. Mas antes do (Concílio) Vaticano II era uma coisa e depois era outra. Nós tivemos a alegria com dom Cândido, por exemplo, de trazer para Bauru e para todo o clero o sentido do Vaticano II, que fez com que nossa diocese caminhasse no sentido da unidade, da capacidade de cada um, da ajuda mútua.
JC - O senhor considera essa festa uma festa particular também?
Cogiola - Particular não. Pessoal também não. Porque a final de contas a gente pertence à diocese. É uma festa da nossa comunidade. Portanto, Bauru deve festejar os 40 anos. Não é comemorar a minha história, mas é justamente a participação que eu tive em toda a história. Estou felicíssimo.