Na opinião de ambientalistas, cabe ao poder público investir em educação ambiental para que as pessoas entendam a importância da economia da água e passem a usá-la com mais moderação.
“O poder público não tem dentro de suas prioridades a questão ambiental”, critica Ivan Ferrazoli de Marche, secretário executivo do Instituto Ambiental Vidágua.
Na opinião dele, a questão do desperdício de água está fortemente ligada à educação da população. “As pessoas abrem a torneira e sai água. Elas não pensam que essa água tem um custo, que tem um trabalho para proteger a nascente, tratar a água e mandá-la para as torneiras”, expõe.
Devido a essa desinformação, os cidadãos tenderiam a acreditar que é muito mais importante economizar quando falta chuva do que na época em que está chovendo. “No meu modo de pensar, a consciência teria de ser única. Se você tem um costume, você teria que seguir isso independente do período de chuvas”, argumenta Ivan.
Ele sugere, por exemplo, que o Departamento de Água e Esgoto (DAE) insira frases de conscientização nos boletos referentes às contas de água, que são encaminhados mensalmente às casas dos usuários.
“As pessoas não têm consciência do valor que a água tem. Muitas vezes, elas reclamam do preço da água sem saber exatamente qual é o valor do preço da água”, reforça o secretário do Vidágua.
Ivan explica que a a iniciativa talvez não seja conveniente à autarquia. “Se a gente reduzir o consumo de água, a receita do DAE diminui. Mas o DAE não deve se preocupar com isso. Ele deve se preocupar a longo prazo, em ter sempre água para atender a população”, opina.
Abastecimento
Além de destinar recursos à educação ambiental, Ivan afirma que cabe à administração municipal investir nas fontes de água já que o rio Batalha, responsável por 42% do abastecimento de Bauru, está ameaçado.
“Por essa falta de prioridade, todo ano se repete a história. O rio Batalha corre o risco de secar por esse motivo”, enfatiza Ivan.
Conforme matéria publicada no JC em janeiro deste ano, Ivan afirma que a principal das três nascentes do rio está em processo de degradação e pode ter água somente até 2008. “A estimativa é de que a nascente principal aflore água até 2008. O rio vai perder um trecho de água porque só as nascentes abaixo da principal alimentarão o Batalha”, explica.
O problema deve-se aos proprietários das terras que margeiam o rio, que tratam o terreno de forma inadequada - cultivando cana, fazendo pastagens ou loteamentos que provocam contaminação.