Muito se tem falado e escrito sobre o Carnaval de Bauru nos últimos dois anos, via de regra, sob o domínio da emoção. Ora se critica o poder público pela ausência de apoio financeiro efetivo, ora a crítica é direcionada aos carnavalescos, ou mais especificamente à Lesec (Liga das Escolas de Samba e Entidades Carnavalescas de Bauru) e aos responsáveis pelas escolas de samba pela letargia e incapacidade de buscar recursos que não sejam os disponibilizados pela administração municipal.
Para o mestre Reginal do Tech professor da Unesp/Bauru, em sua matéria o “Carnaval local requer estilo próprio”, inserida no Jornal da Cidade de 4 de fevereiro de 2001, o Carnaval de Bauru, principalmente a partir de 1975, rompeu com o antigo modelo em que as escolas de sambas existentes pequenas por sinal preconizavam o samba no pé, a bateria, o samba em si, assim como os blocos nos clubes, sem a preocupação com o sentido do evento e, começou a “copiar” o modelo carioca, baseado no luxo, na pompa, se constituindo nos desfiles de escolas de samba, que são avaliados por um júri, como no Rio de Janeiro. Para Tech, o grande problema dessa “cópia” do modelo de Carnaval carioca foi justamente que se copiou apenas o modelo e não a estrutura ou o conteúdo. Mesmo com a incorporação do modelo carioca ao Carnaval de Bauru, segundo ele, duas questões importantes deixam de ser atacadas. Uma o enredo, na qual as escolas não valorizam as questões locais e regionais e a outra é a falta de organização e de envolvimento o ano todo, com a população do local que representam – trata-se de atribuir um caráter social, de difusão de cultura dentro de uma atividade que já existe. As escolas de samba existem de direito e estão presentes no inconsciente coletivo, mas suas estruturas poderiam ser melhor utilizadas. Nesse cenário, o Carnaval, única festa popular de Bauru, não é valorizada como tal, não traz divisas para a cidade e não é pensada o ano todo – se assemelha como evento, a um desfile de Sete de Setembro. Ou seja, apesar de serem luxuosas e de grandes dimensões, não constituem escolas de samba, e sim grupamentos de pessoas que fazem um desfile de Carnaval.
Entretanto, pode-se mudar essa concepção quando o Carnaval bauruense for visualizado como o maior difusor da cultura popular e, para tanto, passar por um processo baseado na reestruturação das escolas de samba. Acreditamos ser muito interessante contextualizar com uma frase de autor desconhecido inserida num certificado fornecido por uma entidade educacional de nossa cidade (Balão Azul Dinâmico) ao Grupo de Danças Folclóricas “Yauaretê”: “A verdadeira riqueza de uma nação está no cultivo e valorização de suas tradições populares” (Tito Pereira – CRO/DF-546)