Saúde

Zoonoses: OMS alerta para risco de pandemia

Sabrina Magalhães
| Tempo de leitura: 3 min

A explosão de casos da gripe aviária nas últimas semanas, que matou pelo menos 12 pessoas só em janeiro, levou a Organização Mundial de Saúde (OMS) a dar um alerta: a mutação rápida e fácil dos germes pode transformar surtos localizados em graves pandemias. Para evitar que isso aconteça, a OMS defende a mobilização generalizada dos países contra a zoonose.

Zoonose é o nome que se dá às doenças de origem animal que podem ser transmitidas ao ser humano. Estima-se a existência de 180 patologias deste tipo. A contaminação pode ocorrer por diversas maneiras: mordidas ou picadas, contato com fezes e saliva de animais doentes ou pela ingestão de água e alimentos contaminados.

De acordo com a OMS, a transmissão entre seres humanos é difícil. Porém, existe um risco muito grande de que o vírus dos animais encontre nas infecções em pessoas a oportunidade de trocar material genético com vírus humanos. Isso geraria um terceiro tipo de vírus, com grande poder de contaminação.

Há poucos dias, cientistas de Hong Kong anunciaram que o vírus H5N1, responsável pela gripe dos frangos, tem matado um número alto de patos no sul da China. Para eles, isso indica que o microorganismo está mais agressivo que em surtos anteriores. Se ele fizer uma troca genética com vírus da gripe humana, a transmissão poderá ocorrer entre seres humanos, o que tornaria a disseminação da doença algo incontrolável.

A gripe aviária não representa um problema para o Brasil - pelo menos até agora. No entanto, o alerta da mutação vale para todas as outras zoonoses. De acordo com o Ministério da Saúde, a incidência de algumas destas doenças aumenta muito no verão, principalmente em função das chuvas.

É o caso da dengue, transmitida pelo mosquito Aedes aegypti, que prolifera abundantemente no período de chuvas. Outro exemplo é a leptospirose, transmitida principalmente pela urina de ratos, muito comum em locais onde há enchentes.

Na região de Bauru, a zoonose que mais preocupa no momento é a leishmaniose, que já matou um menino de 8 anos na cidade de Guarantã há duas semanas. Só em Bauru, 12 casos já foram confirmados em seres humanos.

A leishmaniose pode manifestar-se de duas formas diferentes. A tegumentar, conhecida popularmente como “ferida brava”, atinge cerca de 35 mil brasileiros por ano, segundo o ministério. Ela provoca lesões graves na pele e nas mucosas, mas normalmente não leva à morte.

A forma mais grave da doença é a leishmaniose visceral ou calazar, responsável por aproximadamente 3 mil casos anuais no Brasil. Ela provoca um inchaço de órgãos como o fígado e o baço e pode matar. Os 12 casos confirmados em Bauru são do tipo visceral.

A Agência Saúde informa que até a década de 80, a maioria dos casos da doença concentrava-se em áreas rurais. Mas esse perfil tem mudado nos últimos anos e a incidência nas áreas urbanas é cada vez maior.

Nas cidades, o cão é o principal reservatório da doença. Segundo a Secretaria Municipal de Saúde (SMS) de Bauru, o total de registros positivos de leishmaniose em cães chega a 500, sendo que metade dos animais não foi sacrificada e pode estar transmitindo a patologia.

Não existe tratamento para o cachorro e mesmo que os sintomas desapareçam no animal, ele pode continuar transmitindo a doença para o ser humano.

Para tentar combater as zoonoses, o governo brasileiro aposta em campanhas de conscientização e vacinação.

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