Três pessoas - duas mulheres e um homem - foram assassinadas a tiros no início da noite de ontem no cruzamento das ruas Braz Di Flora e Waldemar Gregório Moraes, no Parque Viaduto, região oeste de Bauru. Até o fechamento desta edição, o motivo do crime ainda não estava esclarecido, mas a polícia já tinha pistas dos autores dos disparos.
O delegado J.J. Cardia, titular da Delegacia de Investigações Gerais (DIG), não lembra de outro triplo homicídio ocorrido em Bauru. A única testemunha do crime é o pintor Márcio Luiz Augusto, 28 anos, marido de uma das mulheres mortas. Em depoimento, ele disse ao delegado plantonista Eron Veríssimo Gimenes que estava a cerca de 20 metros do local quando ouviu os disparos.
Equipes da Polícia Civil e da Polícia Militar já haviam identificado os suspeitos do crime e até o fechamento desta edição estavam à procura dos dois. Os nomes não foram divulgados para não atrapalhar a investigação. Gimenes diz que a polícia tem duas hipóteses para o triplo homicídio: vingança e desavença por causa de drogas.
Augusto relatou ao delegado que tomou conhecimento que duas pessoas do Parque Viaduto, onde ele mora, estavam jurando matá-lo. “Ele (Augusto) contou que ontem, acompanhado do colega, Carlos Roberto de Souza, foi conversar com um deles e explicou que não tinha nada contra ele, que era de paz e que estava desarmado. Ele disse que, inclusive, ergueu a camisa para mostrar que estava desarmadoâ€, conta o delegado.
Atrás dos dois, a pé, seguiram Janaína Carlos dos Santos, 28 anos, esposa de Augusto, e Rosa Maria de Almeida, 38 anos, esposa de Souza. Após a conversa, Augusto afirma que montou em sua moto e saiu do local sozinho, mas a poucos metros à frente ouviu disparos de arma de fogo.
Ao virar-se, Augusto afirma que viu os dois rapazes atirarem primeiramente em Souza e depois correram atrás das duas mulheres e dispararam contra elas. Os agressores fugiram do local e as três vítimas morreram logo após dar entrada no Pronto-Socorro Central.
Até o fechamento desta edição, as armas do crime não haviam sido encontradas e a polícia ainda não sabia precisar quantos tiros cada uma das três vítimas levaram. “O local foi preservado pela Poícia Militar e eu estive lá para a realização de exames periciais, indispensáveis e que vão integrar o inquérito policialâ€, diz Gimenes.
A partir de hoje, o caso deverá ser encaminhado para DIG e 1.º Distrito Policial. Cardia adianta que uma equipe de Investigação de Homicídios estava apurando o crime. A suspeita, diz, é que o motivo das três mortes tenha sido desavença por causa de drogas. O caso foi registrado como homicídio doloso qualificado, cuja pena é de 12 a 30 anos de prisão.
O comandante da 3ª Companhia da Polícia Militar (PM) de Bauru, capitão Flávio Jun Kitazume, também continuava as diligências em busca dos acusados do crime até o fechamento desta edição. “As primeiras informações são de que os homicídios teriam sido motivados por um acerto de contas e Já temos pistas da autoriaâ€, afirma.
No local da ocorrência, a polícia encontrou dificuldades em colher informações. Os moradores da rua, procurados pelo JC, disseram não ter visto nada. Até ontem, apenas um homicídio havia sido registrado este ano em Bauru, o de Antônio Prado Filho, de 62 anos, no dia 7 de janeiro.
O namorado da sua enteada, Eduardo Madureira Roja, 36 anos, foi preso como autor do crime. Com o triplo homicídio, o número desse tipo crime sobe para quatro no ano. Em 2003, Bauru registrou 42 homicídios e em 2002, 47.
Também no início da noite de ontem, Maria José Tenório Pereira, 33 anos, foi atingida por um tiro na nádega quando retornava da casa da irmã e caminhava pela quadra 2 da rua Maria Cândida da Silva, no Jardim Silvestre. Ela foi atendida no PS Central e passa bem. O autor do disparo ainda não havia sido identificado.