A Polícia Civil de Bauru acredita que o triplo homícidio registrado na noite de anteontem, no Parque Viaduto, região Oeste da cidade, possa ter sido originado a partir de uma briga entre facções rivais. Um dos grupos teria cometido os assassinatos por vingança, segundo o delegado da Delegacia de Investigações Gerais (DIG), J.J. Cardia.
Ele afirma que a polícia ainda está investigando os supostos autores dos disparos que mataram Janaína Carlos dos Santos, 28 anos, e o casal Rosa Maria de Almeida, 38 anos e Carlos Roberto de Souza, 34 anos, mas que já há pistas sobre as suas identidades.
Para Cardia, as circunstâncias do crime apontam para um acerto de contas entre facções rivais. “A presença delas não é freqüente em Bauru, mas ocasionalmente elas aparecem. São grupos que começam a brigar entre si e cometem os homicídios”, relata.
A única testemunha do crime, o pintor Márcio Luiz Augusto, 28 anos, marido de Janaína, informou anteontem à polícia que dois homens que estariam querendo matá-lo seriam os responsáveis pelo triplo homicídio.
Augusto relatou que decidiu ir conversar com eles para esclarecer o assunto e evitar problemas. Ele estava acompanhado pelas vítimas.
Ainda de acordo com o pintor, após o encontro, ele teria subido em sua moto e deixado o local, próximo do cruzamento entre as ruas Braz Di Flora e Waldemar Gregório de Moraes, sendo seguido pela esposa e pelos colegas, que estavam a pé. Poucos metros adiante, ouviu os disparos e percebeu que os homens haviam atirado em Souza e que, em seguida, correram atrás das mulheres e dispararam contra elas. Os três morreram pouco depois de darem entrada no Pronto-Socorro (PS) Central.
Localizado pela reportagem ontem à tarde, Augusto não quis falar sobre o crime.
O comandante da 3ª Companhia da Polícia Militar (PM) de Bauru, capitão Flávio Jun Kitazume, está investigando se dois homens cujos nomes foram indicados pela testemunha do triplo homicídio são os mesmos que foram detidos por policiais há cerca de dez dias.
Os dois estavam em um veículo e teriam apresentado um comportamento suspeito ao avistarem a viatura policial. Durante a perseguição, eles teriam jogado dois revólveres e 10 cartuchos pela janela do carro em que estavam, próximo à quadra 2 da rua Alves Seabra.
Como só foram parados após se desfazerem das armas, os dois homens não foram presos em flagrante e, depois de serem ouvidos na delegacia, foram liberados.
Silêncio
O diretor-social da Associação de Moradores do Parque Viaduto, Natalino Leonel dos Santos, afirma que o clima no bairro é de intranqüilidade. “O pessoal está assustado. Ninguém fala nada. Dizem que é por causa de droga”, comenta.
O silêncio em torno do triplo homicídio pôde ser comprovado durante o velório das vítimas. Nenhum parente ou amigo das pessoas assassinadas quis comentar o crime com o JC.
Na rua Paulo dos Santos Filho, no Parque Viaduto, onde os três moravam, os vizinhos também não quiseram falar sobre o que teria motivado o crime. A estudante Thaís Cristina, que vive ao lado da casa de Janaína e Augusto, afirma que a notícia do triplo homicídio surpreendeu a todos. “Ninguém esparava que isso fosse acontecer”, afirma.
Das três vítimas, apenas Souza tinha passagens pela polícia. Segundo o delegado J.J. Cardia, ele já havia sido detido por tentativa de furto, roubo à casa lotérica e tráfico de drogas.
Até o fechamento dessa edição, a polícia ainda não havia conseguido localizar os autores do crime.