O número de casos de aids registrados em Bauru no último ano sofreu uma redução de 59%, em comparação com 2002. Os dados representam casos de pacientes que desenvolveram a doença notificados para a Diretoria Regional de Saúde de Bauru (DIR-10) e computados nas estatísticas do Ministério da Saúde.
Foram 59 casos constatados no ano passado, contra 144 em 2002. A redução pode indicar maior conscientização e preocupação da população em se proteger do vírus HIV, resultado das campanhas e ações tanto do ministério como da Secretaria Municipal de Saúde. No entanto, a coordenadora do Programa Municipal de Doenças Sexualmente Transmissíveis (DST) e Aids, Eliane Regina Catalano Monteiro, observa que os dados apresentados são cumulativos e estão sujeitos a modificações.
“Os dados ainda estão sendo trabalhados, e podem ser alterados à medida que incorporamos novas investigações sobre outros pacientes. A diferença de casos em 2002 e no ano passado pode ser atribuída a uma defasagem, um atraso na notificação”, diz.
A aids é uma doença de notificação obrigatória para os órgãos de saúde. De acordo com Monteiro, aproximadamente 800 pacientes estão em acompanhamento atualmente nos serviços municipais de saúde. Destes, cerca de 600 casos são de Bauru e 200, de municípios da região.
Apesar da redução indicada nos dados da secretaria e da DIR-10, a presidente da Sociedade de Apoio a Pessoas com Aids de Bauru (Sapab), Mafalda Sparapan, ressalta que houve um aumento no número de famílias atendidas pela entidade desde o final do ano passado. “Até o final de agosto, atendíamos 70 famílias. Em setembro, começamos a notar um aumento, que se tornou significativo com o tempo. Hoje estamos com 92 famílias”, demonstra.
A Sapab é uma organização não-governamental (ONG) que realiza atendimento gratuito para famílias de pessoas com aids, auxiliando no tratamento, na alimentação e nos cuidados com os pacientes. Segundo Sparapan, o aumento da procura nos últimos meses não indica necessariamente que houve um crescimento da doença. “Pode ser que estas pessoas já estivessem em acompanhamento há tempos e sua situação econômica as tenha levado a nos procurar, porque a aids é uma doença cara”, argumenta.
Ela explica que os medicamentos para o controle da doença são fornecidos pelo Ministério da Saúde, mas os pacientes necessitam de alimentação substanciada e cuidados com outras enfermidades. “Mesmo o salário da pessoa acaba reduzido, porque ela entra em auxílio-doença.”
A presidente da Sapab constata que a aids vem aumentando, nos últimos anos, nas camadas mais pobres da população. “Mesmo com informação, as pessoas ainda não adquiriram o hábito da camisinha, e o grande problema é pensar que ‘comigo não vai acontecer’. Elas ainda acreditam muito na aparência, embora nós sempre propaguemos nos trabalhos de prevenção que isso não significa nada para a aids”, declara.
O número exato de pessoas contaminadas com o vírus HIV - causador da aids - não é conhecido, mas o Ministério da Saúde estima que 600 mil pessoas estejam infectadas em todo o País.
Adultos e heterossexuais
A coordenadora do Programa Municipal DST/Aids afirma que 92% dos casos da doença em Bauru são de pessoas entre 20 e 49 anos, idade sexualmente ativa da população. “Tivemos um aumento no número de mulheres, mas a razão na cidade ainda é de dois homens para uma mulher. Em algumas regiões do País, a razão já é de um para um, e o número de meninas de 13 a 19 anos com a doença já ultrapassou o de homens, nos últimos casos notificados”, aponta.
Dos casos de Bauru, 38% são pessoas heterossexuais e 37% de usuários de drogas injetáveis. O índice entre homossexuais, antes apontados como principal grupo de risco da aids, é de 9%.
Na busca da conscientização da população, a secretaria planeja expandir suas ações de prevenção da aids. De acordo com Monteiro, todas as unidades de saúde (postos, pronto-socorros, hospitais) poderão realizar o exame para diagnosticar a contaminação com o vírus e a doença, possibilitando ainda o início do tratamento mais precocemente.
“Estamos ampliando o serviço, para que todos tenham o aconselhamento e possam fazer o teste gratuitamente. Ainda vamos focar naquela população que está mais vulnerável e com maior risco de exposição ao vírus, como profissionais do sexo, usuários de drogas injetáveis e homens que fazem sexo com homens”, declara.
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