Bairros

Captura de animais está prejudicada

Luciana La Fortezza
| Tempo de leitura: 4 min

A apreensão de animais errantes que transitam pela área urbana está prejudicada por causa das obras de reforma do prédio onde funciona o Centro de Controle de Zoonoses (CCZ), para onde os bichos abandonados são encaminhados. A falta de muros no entorno do prédio só agrava a situação que, além incomodar munícipes de vários bairros de Bauru, provoca acidentes de trânsito.

Por essa razão, o assunto será discutido hoje numa reunião do Conselho Comunitário de Segurança (Conseg) Sudeste. “O problema é antigo, mas está se agravando. Para encontrar uma solução, a gente vai reunir vários órgãos envolvidos na questão”, explica a presidente do Conseg, Jacqueline Didier.

Entre os presentes estará o chefe da Seção do CCZ, José Rodrigues Gonçalves Neto. Chegam até ele, em média, quatro pedidos diários de apreensão de animais, sendo que a maioria deixa de ser atendida porque o prédio do centro não está em condições de abrigá-los.

“Atendemos apenas pedidos da Polícia Rodoviária. Quando os animais estão longe de vias de grande trânsito, não temos como apreendê-los (por falta de local adequado)”, explica Neto.

A situação se arrasta desde outubro do ano passado e deve ser sanada no próximo mês, com a conclusão das obras de reforma e ampliação do prédio, orçadas em R$ 380 mil.

As novas instalações, que terão quase mil metros de área construída, abrigarão os setores de controle de vetores, canil, apreensão de animais e de diagnóstico de zoonoses da Secretaria Municipal da Saúde. A reforma e ampliação do local foram possíveis graças aos recursos da Fundação Nacional da Saúde (Funasa).

Após a inauguração do prédio, o chefe da seção do CCZ terá mais facilidade para tentar desenvolver um projeto que visa reverter a situação ao identificar os proprietários de animais de grande porte que vivem na área urbana.

“A dificuldade (em implementar a idéia), além da falta de pessoal para fazer o trabalho, é o respaldo policial, porque são pessoas difíceis de tratar”, explica. Ele conta que o caminhão responsável pela recolha dos animais chegou a ser alvejado com balas de arma de fogo. O CCZ também foi assaltado, supostamente por proprietários que tiveram seus animais apreendidos, 12 vezes num mesmo mês.

A recuperação do animal à força seria uma maneira de driblar os altos custos cobrados para reavê-lo. Quando a administração municipal localiza pessoas que abandonam seus bichos pelas vias públicas, emite multa de R$ 491,85. Em caso de reincidência, o valor dobra. Além disso, ainda tem de gastar R$ 100,00 com a taxa de apreensão, mais R$ 50,00 por dia.

“Depois de cinco dias (de permanência do CCZ), a prefeitura pode dar o destino que lhe convier (aos animais). Pode cedê-los para adoção aos proprietários da zona rural. Na área urbana os animais podem transmitir zoonoses, infectar áreas (com carrapatos, por exemplo) e incomodam com os dejetos”, informa Neto.

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Aborrecimentos

Os aborrecimentos provocados pelos animais soltos na rua são velhos conhecidos da presidente da Associação de Moradores do Octávio Rasi, Marilene Rodrigues Moço. Ontem, ela e várias mulheres do bairro deixaram de fazer uma caminhada matinal por causa de uma boiada.

“Além de provocar medo nos pedestres, os carros não passam. Um motoqueiro tocou os bois para facilitar o trânsito para ele e para outros motoristas”, conta Moço.

Em localidades variadas, como a Vila Dutra e às voltas do Parque Residencial Camélias, o problema também é recorrente, destaca a presidente do Conselho Comunitário de Segurança (Conseg) região Sudeste, Jacqueline Didier. De acordo com ela, os moradores do bairro estão sujeitos a tomar chifradas dos bois.

Na semana passada, o JC flagrou várias vacas e bois circulando pela Praça Anacleto Chaves, a poucas quadras do Condomínio Camélias.

“Não podemos esperar uma tragédia acontecer para tomar providências. Os animais estão por toda parte”, diz. Concorda com ela o presidente da Associação dos Moradores do Jardim Tangarás, Zaqueu Vieira da Silva, que já passou apuros.

“Um boi bravo já deu um “carreirão” nos meus filhos (de 9 e 6 anos), quando voltavam a pé da escola. Identifiquei um dos proprietários e consegui uma área para que ele mantivesse os animais presos”, comenta.

O dono do animal que não adotar a precaução e arriscar a segurança alheia, pode responder por abandono ou omissão de cautela. A pena, de acordo com a Lei das Contravenções Penais, varia de dez dias a dois meses de reclusão, informa o delegado do 4º Distrito Policial, Marcos Cremonesi.

• Serviço

A reunião do Conseg será hoje, às 16h, na avenida Nações Unidas, 40-45, nas proximidades do trevo do Jardim Contorno.

Já os telefones para solicitar informações sobre apreensão de animais são (14) 3281-7034 e 3281-2646.

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