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Serão todos iguais?


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O episódio envolvendo o sub-secretário da Casa Civil do governo Lula, Waldomiro Diniz, merece redobrada atenção. Não pelo fato em si, um ato de corrupção condenado por todos os que acreditam na honestidade como fator básico na construção da nação, mas por constituir-se em um balde de água gelada nos sonhos dos milhões de brasileiros crentes que o PT, no exercício do poder, seria diferente dos outros partidos. E mais: que essa diferença estaria, justamente, na lisura no trato da coisa pública.

A história recente do País registra fatos semelhantes a esse que marcaram governos e partidos. Na ditadura militar, os casos de corrupção aconteciam e pouco ou nada se tornava de conhecimento público. Ao longo do tempo esses casos, aliados à falta de liberdade e de democracia, ajudaram na queda do regime. Dizia-se que a corrupção existia porque o regime não era democrático. Hoje sabemos que tanto na ditadura quanto na democracia não estamos livres dos corruptos. Nomeados ou eleitos pelo povo, volta e meia, eles aparecem. É uma praga. A corrupção não está na razão direta da falta de liberdade, mas sim na razão diretíssima da formação educacional e cultural de um povo.

Após 20 anos de ditadura, em 1989, tivemos o primeiro presidente eleito no novo período democrático. Collor, que fez campanha caçando “marajás”, acabou cassado por corrupção, junto com PC Farias e sua turma. No Brasil da ditadura, de Arena e MDB, como no Brasil da democracia, de PMDB, PSDB, PFL, PDT, PTB, PP, PPS, etc, ninguém escapou ileso de casos de corrupção em prefeituras, governos estaduais e governo federal. Todos experimentaram, em algum momento, o dissabor do desgaste provocado por fatos dessa ordem. É bom que se diga, para que não se tome a exceção como regra, que a maioria dos governantes, filiados a esses partidos ou não, é séria e honesta, caso contrário não haveria espaço nos tribunais para julgar outras coisas.

Na Capital ou no Interior de São Paulo existem “casos estranhos” nos governos petistas, a começar pelas “concorrências” para a coleta de lixo indo até as “tomadas de preço” para a contratação de assessoria administrativa. Diante disso, por vezes, imaginamos que o caso do assassinato do prefeito Celso Daniel, de Santo André, envolvido pela teia incontrolável dos interesses econômicos, está nesse contexto estranho. Mesmo com tudo isso, esperava-se que o PT não fosse “igualzinho” aos outros. Tinha-se esperança que as “diferenças” apareceriam quando o Lula chegasse à presidência e o PT assumisse o poder maior. Mas, como se vê na economia e, agora, no trato da coisa pública, nas barbas do profeta, ou melhor, do Lula, a forma petista de governar não é diferente da dos outros. Infelizmente.

Infelizmente porque é mais uma decepção para o povo e isso não contribui em nada para o País. Não ajuda a política, nem a economia e, muito menos, a formação moral dos brasileiros. Mesmo os que não são PT deveriam torcer para que Lula e o PT cumprissem o que deles se esperava, ou seja, mudar o Brasil. Como caminham as coisas, é possível que a encruzilhada não esteja tão distante. Nossa democracia não é suficientemente sólida para suportar tantas decepções. Os petistas deveriam lembrar-se do magnífico samba do correligionário Gonzaguinha: “O que é o que é”. Antes que seja tarde, é melhor ficar “com a pureza da resposta das crianças” para que todos possam “viver e não ter a vergonha de ser feliz”. O PT, por tudo que pregou, tinha que ser diferente, mesmo que para isso tivesse que “ser um eterno aprendiz”.

O autor, Tidei de Lima, é engenheiro civil, ex-deputado federal, ex-secretário da Agricultura e ex-prefeito de Bauru.

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