Turismo

Samba, suor e praia

Eliane Barbosa
| Tempo de leitura: 2 min

O Rio de Janeiro é o palco do maior espetáculo da terra, que atrai gente do mundo todo em torno dos desfiles da Marquês do Sapucaí. Mas Recife, Olinda e Salvador disputam onde o Carnaval de rua é mais animado.

Se o Rio tem a seu favor os desfiles das escolas de samba, as cidades nordestinas levantam o troféu da autêntica festa de Momo puxada por frevos, maracatus e trios elétricos.

Bom motivo para quem engavetou durante meses a tão sonhada viagem a esses palcos da alegria e que agora, com o Carnaval, pode juntar samba, suor, cerveja e, é claro, praia.

A festa é do povo

O Carnaval Multicultural do Recife 2004 será embalado por uma diversidade de ritmos jamais vista no País. O cardápio supervariado da folia pernambucana inclui, além do tradicional frevo, danças e sons que animam outras festas do calendário cultural da cidade: ciranda, coco, samba, reggae, rock, “ mangue beat” e música “techno”.

Até uma banda sinfônica - acompanhada de batuqueiros de maracatu - entrará na folia deste ano.

Ao contrário de outras cidades brasileiras, o Carnaval do Recife começa oficialmente amanhã, no Pólo Multicultural - montado no marco Zero (Recife Antigo) -, quando o prefeito João Paulo entrega as chaves da cidade ao Rei Momo e à rainha do Carnaval.

Ali, entre muitas atrações, o percussionista Naná Vasconcelos - um dos melhores do mundo, segundo a revista Dow Beat (EUA) - regerá 300 integrantes de várias nações de maracatus da cidade.

Alguns desses grupos foram fundados ainda no século 19. São os casos da Nação Elefante (1800) e a Leão Coroado (1863).

Agremiações tradicionais como o Estrela Brilhante (1910) e o Porto Rico (1967) também participarão do “happening”. “Vamos realizar uma grande festa e proporcionar um espetáculo que exalta a cultura afro-pernambucana e a união de todos os maracatus”, comenta Naná.

Nos dias seguintes, haverá espetáculos e desfiles para todos os gostos e todas as classes sociais.

Nomes conhecidos da música brasileira estarão presentes na festa, em palcos armados na rua, cantando seus sucessos para públicos de todos os gostos.

Detalhe: ninguém precisa pagar ingresso para ver shows de Antônio Nóbrega, Naná Vasconcelos, Alceu Valença, Lenine e representantes da nova cena musical do Recife (o Mangue-Beat), entre tantas atrações.

“O Carnaval do Recife é o mais democrático do País”, afirma o prefeito da cidade, João Paulo. “Não temos cordões de isolamento nem arquibancadas para separar o povo de sua música”, completa o secretário de Cultura, João Roberto Peixe.

Galo da Madrugada

Há dois anos, o Carnaval do Recife é realizado dentro de um novo conceito. A festa é distribuída por toda a cidade, descentralizada em pólos onde se apresentam - ao ar livre - cerca de 200 agremiações e astros da música brasileira.

“São 12 quilômetros quadrados de Carnaval”, explica o prefeito. A grande festa estará espalhada por toda a cidade - do Centro ao subúrbio. No sábado, o destaque é o desfile do tradicional bloco Galo da Marugada.

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