Tribuna do Leitor

A era dos barbudos


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Otto Lara Resende, em uma de suas crônicas, dizia que a etimologia esclarece muitas coisas. Você vai ao dicionário, consulta a origem da palavra e é como se estivesse abrindo um brinquedo para ver como ele funciona.

E como estamos na era dos barbudos, lembramo-nos de uma vez Delfim Neto ter saído com a palavra “misopogonia”, que, como ele próprio explicou, vem do grego e significa “aversão à barba”. Por que será que o PT elegeu a barba como símbolo de seu “reinado”? Até Ciro Gomes, depois de guindado a ministro, apareceu com uma barbinha rala, meio russa (o leitor fique à vontade para fazer a ilação que preferir) e sem estilo.

A esmagadora maioria dos petistas usa barba. Se Lula hoje aparecesse de cara raspada, provavelmente passaria incógnito. Até poderíamos pensar que estivesse se disfarçando. Mas Lula não sofre de misopogonia. Nem ele nem a maioria de seus seguidores. Adoram uma barba, como se fosse um adereço precioso, como a jóia para uma dama.

Houve um tempo em que os barbudos eram do contra. Hoje são a favor. Antes, eram dissidentes. Hoje, não. Se antes divergiam da opinião geral, atualmente os barbudos estão com a bola nos pés e chutando pra frente, a fim de não tomar gol contra ou, então, pespegando um petardo nos três paus do goleiro adversário, de preferência do time dos aposentados ou dos mais idosos. Por enquanto, ainda não conseguiram um gol de placa. Na verdade, até agora não deu pra ver nem mesmo um golzinho mixuruca em qualquer área governamental. Vai ver que a barba está atrapalhando. Desculpem-nos essas metáforas, mas é que elas são tão ao gosto do barbudo mor, nosso presidente, que não nos podemos furtar de cair na mesma grandeza de comparações.

Não que já não tivéssemos barbudos em tempos de antanho. É só evocar, por exemplo, Pedro II, Deodoro da Fonseca e tantos outros. Monárquica, militar, a barba significava adesão. A barba mais parece um símbolo. A barba fala. Fala? Fala o quê? Para os petistas, ontem, era símbolo de não conformismo. Hoje, significa poder, status.

Como se vê, há toda uma semântica da barba. Nossos petistas trazem na barba seu cartão de identidade. Mas, repararam que Zé Dirceu, por exemplo, não usa barba? Por que será? Se barba significa, hoje, adesão, então qual a razão do Zé Dirceu não a usar? Será porque ele já mudou de cara tantas vezes, que agora cansou e preferiu usar como disfarce a sua própria cara? Pode ser... é uma hipótese.

Só pedimos a Deus que, como no conto de Perrault, não apareça por aí um personagem como barba-azul, que, em vez de assassinar esposas e enviuvar diversas vezes, ponha-se a estrangular velhinhos, inativos, aposentados, inventando impostos e medidas subtrativas de salários já tão minguados e invisíveis a olho nu. É que a barba nem sempre nos dá a impressão de docilidade e mansidão! Toda vez que encontramos um barbudo, especialmente numa noite escura e de trovoadas, temos mais vontade é de sair correndo...

Dra. Maria da Glória De Rosa - mgderosa@bol.com.br

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