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Plano Diretor quer interligar bairros

Ronaldo Schiavone
| Tempo de leitura: 4 min

A segunda audiência pública para discussão do novo Plano Diretor de Bauru, realizada ontem à noite na Câmara Municipal, apontou a necessidade de ampliação do atual sistema viário do município para melhorar a interligação entre bairros e setores da cidade. A proposta é construir duas grandes avenidas e prolongar ou duplicar trechos já existentes.

Segundo a coordenadora do grupo de trabalho responsável pela elaboração do projeto, arquiteta Maria Helena Rigitano, a falta de um sistema viário compatível com o tamanho da cidade prejudica o deslocamento da população e, até mesmo, da polícia e do Corpo de Bombeiros. “Hoje, o que temos são regiões seccionadas por rodovias, ferrovias e córregos”, analisa.

Durante a apresentação do diagnóstico levantado pelo grupo de trabalho, Rigitano propôs a construção das avenidas Água Comprida e Água do Sobrado como fator preponderante para suprir parte dessa carência.

O projeto da avenida Água Comprida, que terá seis quilômetros de extensão, prevê a interligação entre a região do câmpus da Universidade Estadual Paulista (Unesp) e a avenida Rodrigues Alves, permitindo, a partir daí, o acesso ao Núcleo Mary Dota pela ponte Ayrton Senna, que está sendo recuperada.

Já a avenida Água do Sobrado, com 2,5 quilômetros de extensão, servirá para desafogar o trânsito da zona oeste, especialmente da avenida Castelo Branco e da rua Bernardino de Campos, que operam em mão duplas e apresentam sinais de saturação.

Nações Unidas

A proposta apresentada por Rigitano também prevê o prologamento da avenida Nações Unidas Norte, interligando o trecho já existente, que termina na rotatória da avenida Jânio Quadros, à rodovia Bauru-Marília. “Nessa região, há muitos bairros antigos, como o Parque Vista Alegre e o Jardim TV, que possuem acesso complicado e que levam, muitas vezes, o trânsito urbano para a rodovia Marechal Rondon”, argumenta.

Além da Nações Unidas, o novo Plano Diretor também deverá contar com diretrizes para duplicação e prolongamento de outras vias, como a avenida Nuno de Assis, na região do Fórum e do Núcleo Mary Dota, e a avenida Lúcio Luciano, que seria estendida em direção à avenida Rodrigues Alves.

Rigitano lembra que algumas dessas obras já constavam do Plano Diretor vigente, aprovado em 1996, assim como outros projetos que foram ou estão prestes a serem executados, como a duplicação das avenidas Getúlio Vargas, Comendador José da Silva Martha e Luiz Edmundo Coube.

A arquiteta acredita que esse conjunto de obras deverá permitir que o sistema viário de Bauru suporte a evolução do tráfego de veículos nos próximos anos. “Elas suprem a deficiência que temos atualmente e servem para induzir o crescimento em algumas áreas”, analisa.

Apesar da necessidade das melhorias ter ficado evidente, o vereador Paulo Eduardo Martins Neto (PFL) sintetizou o principal questionamento que norteava os presentes, ou seja, a viabilidade das obras em época de recursos financeiros escassos.

Rigitano lembrou que o município precisará buscar verbas externas se quiser levar os projetos adiantes. Só o prolongamento da avenida Nações Unidas Norte está orçado em R$ 16 milhões.

Como realizar todas as obras ao mesmo tempo é inviável, ela citou que o novo Plano Diretor, em um segundo momento, deverá elencar quais delas serão prioritárias.

Durante a audiência, também ficou definida a formação de sub-grupos de trabalho para cada tema debatido. Por enquanto, foram criados os de drenagem, assunto discutido no primeiro encontro, e sistema viário.

A próxima audiência pública está prevista para o dia 4 de março e deverá tratar do Estatuto das Cidades.

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Diretrizes

O objetivo do Plano Diretor é estabelecer as metas de planejamento para o município a médio e longo prazos. Ele determina, por exemplo, onde devem ser construídos novos loteamentos habitacionais, avenidas e parques.

Em Bauru, o primeiro Plano Diretor foi aprovado pela Câmara Municipal em 1967 e só foi modificado em 1996, quando foi elaborado o projeto que vigora atualmente.

A equipe que está organizando o novo Plano Diretor começou a trabalhar no final do ano passado. Depois de compilar dados e subsídios que pudessem apontar as principais necessidades do município, o grupo passou a promover, com a ajuda do Poder Legislativo, audiências públicas semanais, que devem se estender até abril. A previsão é concluir o projeto até maio para que ele possa ser enviado à Câmara.

Além da arquiteta Maria Helena Rigitano, que coordena o grupo de trabalho, fazem parte da equipe Valcirlei Gonçalves da Silva, Andréia de Almeida Ortolani, Franciluz Mariano Malta e Richard Avante.

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