Rural

Associação reúne maracujá da região

Da Redação
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Os cerca de 20 produtores de maracujá de Bauru e região estão organizados através da Associação Bauru Frutas, inaugurada oficialmente no final do mês passado com o objetivo de proporcionar sustentação à atividade de pequenos produtores rurais.

Segundo o presidente da Associação, Orlando Marcos de Oliveira, a fruticultura é uma importante alternativa de renda para o pequeno agricultor. “A fruticultura gera até quatro vezes mais do que qualquer outra atividade do ramo agrícola”, afirma.

De acordo com a assessoria de imprensa do Serviço de Apoio às Micro e Pequenas Empresas (Sebrae) de São Paulo, entidade que apóia a associação, o projeto envolvendo os produtores de maracujá surgiu em 1988, na Estação Experimental Campo Novo, da Universidade do Sagrado Coração (USC), vindo ao encontro das necessidades da região de Bauru, dominada pela cana-de-açúcar e pecuária de corte, mas que, ao mesmo tempo, possui uma grande quantidade de pequenos produtores sem alternativas de renda.

O projeto conta com diversos parceiros. Além do Sebrae-SP e da USC, a Secretaria Municipal de Agricultura, a Universdade Estadual Paulista (Unesp) e a Agência Paulista de Tecnologia em Agronegócios (APTA) também colaboram para o fortalecimento dos produtores.

O Sebrae/SP atua na organização da cadeia produtiva do maracujá na região. De acordo com o técnico responsável, Juliano Piovezam Pereira, a união dos produtores traz inúmeros benefícios como a comercialização conjunta, a padronização dos frutos e a produção de mudas. Segundo ele, para o primeiro ciclo de colheita, que terá início em fevereiro, foram produzidas, na estação experimental, 30 mil mudas, que devem gerar uma produção de 400 toneladas de maracujá.

Suco

Um dos benefícios já conquistados pelo grupo foi a doação de uma agroindústria para o beneficiamento da polpa do maracujá, visando a comercialização do suco. “O projeto foi encaminhado para a Fundação de Amparo à Pesquisa no Estado de São Paulo (Fapesp), que fez a doação. Com isso, os produtores podem garantir melhor aproveitamento para a fruta de segunda linha, pois a de primeira linha tem um bom mercado”, explica Pereira.

Com valor estimado em R$ 130 mil, a agroindústria será instalada na Estação Experimental, onde os produtores deverão fazer a entrega da produção, tanto para o mercado da fruta in natura quanto para o suco. O gerenciamento será feito pela própria associação.

Boa hora

Para os irmãos Maurício e Ricardo de Cavalho Nani, a associação chegou em boa hora. Eles contam que sempre trabalharam com fruticultura e gado de corte. Há quatro anos voltaram a produzir maracujá, na Fazenda Santa Rosália, em Avaí, juntamente com o abacaxi e melancia.

A previsão para este ano é colher 2.600 caixas de maracujá no ciclo da fruta, com as 800 plantas existentes. Quando voltaram a plantar o maracujá, os irmãos Nani produziram suas próprias mudas, coincidentemente da mesma variedade oferecida pela associação.

Na opinião deles, o pequeno produtor sofre muito na hora da comercialização, pois não tem grandes quantidades a oferecer. “Em cooperativa todos se tornam grande produtor. Quando você tem volume e qualidade no produto, pode negociar melhor o preço”, afirma Ricardo Nani.

Na opinião do produtor, a forma como a associação foi organizada e com a estrutura oferecida pela Fapesp, será possível direcionar a fruta para os mercados de polpa ou in natura, conforme a tendência de preço do mercado.

Na fazenda Santa Rosália, cerca de 30% da renda anual é proveniente do maracujá. “A grande vantagem é que o período de produção do maracujá é maior que as outras frutas, gerando renda quase que permanente”, garante.

No entanto, o produtor lembra que o maracujá é uma cultura sensível a pragas e doenças, por isso é preciso ficar atento às pulverizações preventivas de fungicidas. “Cerca de 15% da renda gerada pelo maracujá, é aplicado na produção ou aquisição de mudas, adubação e trato cultural”, explicou.

Atualmente o projeto é coordenado pela APTA, através de sua unidade de pesquisa e desenvolvimento de Bauru. Com o programa de desenvolvimento sustentável da horticultura para agricultura familiar e áreas de assentamento na região de Bauru, o Projeto do maracujá ganhou força e consolidou suas ações através das parcerias com universidades, órgãos públicos e mais recentemente com o Sebrae-SP.

De acordo com o agrônomo Aloísio Costa Sampaio, da Unesp, em médio prazo a expectativa é crescer ainda mais. “Junto com o Sebrae-SP queremos viabilizar um projeto junto ao Instituto de Tecnologia de Alimentos, com o objetivo de aumentar a capacidade produtiva e comercial dos produtores de maracujá da nossa região”, diz. Outra novidade é que a Associação vai iniciar um trabalho com a produção de goiaba, que desponta com um excelente mercado.

• Serviço

Produtores interessados em integrar a associação podem entrar em contato com Orlando Marcos pelo telefone: (14) 9621-0950 ou com o professor Aloísio Sampaio, na Unesp em Bauru, (14) 3103-6078.

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