Os funcionários do Banespa/Santander podem entrar em greve a partir do dia 4 de março se as demissões efetuadas anteontem pelo banco não forem revertidas, segundo informa o Sindicato dos Bancários de Bauru e Região. Em todo o País, pelo menos 600 funcionários foram mandados embora - nove deles em Bauru. Na região, houve também demissões em Lençóis Paulista e Avaré.
De acordo com a diretora do sindicato Leonilda de Campos, está marcada uma reunião para a próxima quinta-feira, dia 26, com todos os sindicatos da categoria para definir uma posição em relação à greve. “Neste momento já estão ocorrendo negociações com o banco para tentar reverter todas essas demissões”, diz. Segundo ela, representantes dos sindicatos estavam tentando impedir mais demissões, que possivelmente ocorreriam ontem.
Leonilda afirma que, por enquanto, a orientação para os sindicatos é não aceitar as demissões. “Os sindicatos, não só o nosso, não estarão aceitando as demissões. Não vamos homologar a demissão de nenhum funcionário”, declara a sindicalista. E acrescenta: “Nossa intenção é reverter as demissões. Tomara que a greve não seja necessária, mas se for, esperamos que ela saia forte, em nível nacional”.
Segundo nota à imprensa divulgada pelo sindicato, os cortes são “injustificáveis e indecentes” tendo em vista o lucro do Banespa/Santander em 2003, cerca de R$ 1,7 bilhão. Leonilda observa que os nove demitidos em Bauru (cinco deles na agência Centro, na rua Rio Branco) não receberam nenhuma justificativa.
Pelo País, a sindicalista afirma que tampouco houve justificativas ou um “padrão” para as demissões. “Não só pelas demissões de nossa base, mas de todo o País, foram demitidos desde gerente/geral com muitos anos de casa, funcionários novos, caixas, enfim, não há um padrão”, diz.
Atualmente, as agências do Banespa/Santander mantêm cerca de 200 funcionários em Bauru. No Brasil, são aproximadamente 13 mil empregados. As 600 demissões de anteontem representam quase 5% do quadro total de funcionários.
Segundo Leonilda, desde a privatização do Banespa - vendido para o grupo espanhol Santander em novembro de 2000 - pelo menos 12 mil funcionários deixaram a instituição, entre demitidos e incluídos no Plano de Demissão Voluntária (PDV). “Faltam funcionários nos bancos em geral, principalmente no Banespa. É hora extra correndo solta, funcionários estressados, filas e mais filas”, aponta.
Liminares
Entre os funcionários demitidos em Bauru, um deles trabalhava no prédio da empresa Transpev Processamento e Serviços Ltda, na quadra 24 da avenida Duque de Caxias. O fato chama atenção porque, desde o final de janeiro, o Banespa está impedido de utilizar os serviços de mão-de-obra terceirizada da empresa, com sede no Rio de Janeiro.
A decisão foi tomada pelo juiz André Luiz Alves, da 3.ª Vara do Trabalho de Bauru, após ação do Ministério Público do Trabalho (MPT) da cidade. Em caso de descumprimento da liminar, caberia multa diária de R$ 2 mil ao Banespa por trabalhador em situação irregular. À Transpev, a multa estipulada foi de R$ 500,00 diários por trabalhador.
O funcionário demitido do local fazia um “serviço de retaguarda” no local, o que indica, segundo o sindicato, que a terceirização continuaria sendo realizada. “Até o presente momento (a liminar) não foi cumprida”, afirma Leonilda.
Em dezembro de 2003, o Banespa já havia sido proibido pela Justiça do Trabalho de Bauru de demitir funcionários sem justa causa. A decisão da juíza Maria Madalena de Oliveira foi arquivada por um juiz substituto e ainda não teve seu mérito julgado. “(O juiz alegou que) o sindicato não poderia entrar com esse instrumento, que foi uma ação civil pública. No nosso entendimento, isso não tem sentido nenhum”, diz a diretora do sindicato.
A assessoria de imprensa do Banespa/Santander informou que ninguém da instituição comentaria as demissões. Na sede da Transpev, o advogado da empresa não foi localizado para comentar a questão das terceirizações.