Tribuna do Leitor

O povo e o Legislativo


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O que a imprensa tem feito ao longo dos anos, na divulgação dos meandros políticos brasileiros, por mais útil que tenha sido ao público-alvo, é apenas como um perfume ou um odor fétido que nos passa pelas narinas, pois que o aroma é levado pelos ventos, mas a matéria podre continua no mesmo lugar. Após isso, cai no esquecimento dos poucos que acompanham a política nacional. A expressiva maioria da população, dada a habitual desinformação, faz-nos constatar que o povo brasileiro, com raríssimas exceções regionais, não conhece política e deixa de participar do debate por desconhecer os mais elementares axiomas políticos, limitando-se a votar (e, não raro, mal), aplaudir ou criticar os eleitos e a escandalizar-se com a corrupção.

Ao contrário da imagem formada no passado longínquo, por outro lado, constata-se que os atuais universitários têm aversão à política, fugindo do debate, identificando “política, governo e corrupção” como uma coisa só (estariam errados nesse conceito?). Quando e fala em eleição, eles são contra os “horários políticos” e confessam que “votaram em branco ou anularam o voto.” Recente balanço do Tribunal Superior Eleitoral indica que dos 115 milhões de nossos eleitores, 25,3 milhões são analfabetos ou sabem apenas sabem ler e escrever (22%); 46,1 milhões possuem o ensino fundamental, completo ou incompleto (40%); 32,2 milhões possuem o nível médio (28%); e 11,5 milhões possuem nível superior completo e incompleto (10%). CONCLUSÃO: Com universitários desiludidos e cerca de um grande percentual de eleitores completamente ignorantes e descrentes de assuntos políticos, é compreensível que nossa democracia esteja tão atrasada e manipulada por tantos políticos incompetentes, corruptos, mercenários, verdadeiros servidores políticos vitalícios, na sua grande maioria já com 5, 6 ou 7 mandatos concluídos e com direito à aposentadoria integral logo no 2o mandato. E, tudo isso, com a anuência maléfica de 43 partidos políticos desorganizados, sem nenhuma ideologia ou objetivos sérios ou promissores, ainda comandados por velhos caciques da política nacional. Por outro lado, com raríssimas exceções, a mídia brasileira também não de interessa pela educação política de nosso eleitor; prefere projetar, em seus veículos de comunicação, ruidosas manchetes de crimes, violências, CPIs de corrupção, 365 dias de futebol, carnaval, novelas pornográficas, grupos de pagode, etc, corroborando, assim, o resultado de recente pesquisa CNT/Sensu em que a imagem do Brasil, no mundo, é mostrada como sendo apenas um país do carnaval , do futebol , do café e da banana.

É um tanto despretensiosa a insurreição contra a idoneidade do Poder Legislativo para criar movimentos de moralização no mesmo poder. Pretender moralizar o Poder Legislativo é uma missão quase impossível que implica em erradicar uma série de vícios praticados pelos nossos políticos ao longo de várias décadas, tais como o corporativismo, o nepotismo, a infidelidade partidária, a corrupção, a preguiça legislativa e várias outras mazelas que afrontam o ingênuo e gigantesco eleitorado brasileiro. É de desanimar, pois que a cada dois anos a retórica eleitoreira é repetida e cantada em coro pelo povo, que acredita, piamente, ser o protagonista dessa factível democracia.

Ivan Garcia Goffi - OAB/SP 165.173

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