Regional

Pátio se transforma em sala de aula

Da Redação
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O pátio da Cadeia Pública de Ibitinga se transforma, de segunda a quarta-feira, das 7h30 às 9h. Com carteiras e lousa improvisadas, o lugar passa de pátio para sala de aula. Quando o tempo está bom, a aula é normal, mas quando chove os alunos são obrigados a se recolherem e a aula é suspensa.

As dificuldades não abatem os presos que querem aprender a escrever e ler e não depender mais dos colegas de cela. “Eu me sentia humilhado quando recebia uma carta. Não sabia ler e tinha que pedir para um colega de cela ler para mim”, confessa o preso Luciano Biraque Draques, 25 anos.

Para ele, conseguir decifrar a mensagem contida na correspondência foi uma conquista. “Quando você não sabe ler, tem que abrir sua intimidade com os colegas, porque eles vão ler suas cartas. É algo humilhante”, pondera.

A falta da sala de aula é um problema para alunos e professores, reclama a futura pedagoga Magali Parra. “Se chover por uma semana, não temos onde dar aula.”

O diretor da cadeia, Carlos Alberto Ocon de Oliveira, reconhece que há falta de infra-estrutura. “Eu tenho um projeto para construir uma sala de aula e uma lavanderia industrial. A idéia já está projetada.”

Para erguer a obra, ele pretende contar com a ajuda da iniciativa privada e com o Juizado Especial Criminal. “Estamos construindo o muro da cadeia com material de construção doado pelo Juizado que faz arrecadação com as penas alternativas. A mão-de-obra é da prefeitura e a betoneira foi emprestada por um empresário da cidade.”

A lavanderia anexa à sala de aula é outro projeto do delegado. “Pretendo uniformizar os presos para diminuir as roupas dentro das celas. A lavanderia seria para lavagem e esterilização das roupas, evitando a proliferação de doenças como a sarna que no ano passado infestou a cadeia.”

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Animosidade em baixa

O diretor da Cadeia Pública de Ibitinga, Carlos Alberto Ocon de Oliveira, diz que acredita na ocupação do preso como meio de ressocialização. “Quando eles são tratados com respeito, respondem na mesma medida.”

Desde que assumiu a cadeia, em meados de 95, sempre procurou amenizar a situação dos presos. “Tivemos problemas com os presos que chegam de fora. Os demais aceitam as regras e se comportam bem.”

De acordo com ele, aqueles que cumpriram pena nesse período e foram tratados com respeito não voltaram a delinqüir. “Todos que saíram não voltaram a ser presos. Eu acredito que esse seja o caminho.”

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