Só de imaginar dezenas de agulhas sendo espetadas no próprio corpo, a maioria das pessoas já treme. Afinal, o pavor desencadeado por esses objetos é quase tradição no ocidente. No entanto, a prática mostra e a ciência confirma que a acupuntura pode ser uma excelente opção de tratamento para várias doenças. A Organização Mundial de Saúde (OMS) cita 40, mas os chineses garantem que são mais de 300 enfermidades tratáveis.
Baseada no princípio do equilíbrio energético, a acupuntura utiliza agulhas para estimular pontos específicos do corpo onde haveria uma obstáculo ao fluxo de energia. Para os orientais, o estímulo libera esse fluxo, devolvendo a ele um ritmo normal e saudável.
Para a medicina ocidental, esses pontos são microterminações nervosas que, ao serem “cutucadas” pelas agulhas, estimulam o sistema nervoso central a produzir hormônios. “A serotonina e as endorfinas são substâncias que, em conjunto, têm efeito analgésico, antiinflamatório, relaxante mental e físico”, explica a médica acupunturista Mara Regina dos Santos Ueda.
A psicóloga Elizabete Maria de Toledo, especializada em medicina tradicional chinesa, afirma que a principal função da acupuntura é regular o funcionamento do organismo. “Nesse sentido, você pode tratar qualquer doença com a acupuntura, desde que não haja nenhum órgão lesado”, explica.
“Um câncer, por exemplo, precisa ser tratado com cirurgia, quimioterapia e radioterapia. A acupuntura pode ajudar. Ela aumenta a resistência do organismo estimulando o sistema imunológico. Também melhora a condição psíquica da pessoa, deixando-a mais tranqüila para encarar a doença e alivia as dores. Mas não cura (um órgão lesado)”, concorda Ueda.
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Origem e evolução
A acupuntura é um método terapêutico antigo, utilizado há aproximadamente 5 mil anos no Oriente. Foi criada na China, sendo mais tarde incorporada ao arsenal terapêutico da medicina em outros países orientais, como o Japão, Coréia e Vietnã.
Achados arqueológicos da Dinastia Shang (1766 - 1123 a.C.) incluíam até agulhas de acupuntura e carapaças de tartarugas e ossos, nos quais estavam gravadas discussões sobre patologia médica.
Mas o primeiro texto médico conhecido e ainda utilizado pela medicina tradicional chinesa é o Tratado de Medicina Interna do Imperador Amarelo (Nei Jing Su Wen), escrito na forma de diálogo entre o lendário Imperador Amarelo (Hwang-Ti) e seu ministro, Qi Bha, sobre os assuntos da medicina, segundo alguns autores durante a Dinastia Chou (1122 - 256 a.C.). Outros textos clássicos surgiram posteriormente.
A palavra acupuntura origina-se do latim, sendo que “acus” significa agulha e “punctura” significa puncionar. A acupuntura refere-se, portanto, à inserção de agulhas através da pele nos tecidos subjacentes em diferentes profundidades e em pontos estratégicos do corpo para produzir o efeito terapêutico desejado.
Mas, na verdade, acupuntura é uma tradução incompleta da palavra chinesa Jin Huo (ou Tsen Tsio) que significa metal e fogo. Para tornar uma longa história curta: os pontos de acupuntura distribuídos pelo corpo podem ser puncionados com agulhas ou aquecidos com o calor produzido pela queima da erva Artemisia vulgaris, (mais conhecida como moxa ou moxabustão).
Podem ainda ser estimulados por ventosas, pressão, estímulos elétricos e, mais recentemente, o laser. Acupuntura e moxabustão fazem parte da chamada medicina tradicional chinesa, que inclui ainda uma fitoterapia bastante sofisticada.
(...) Evidências científicas acumulam-se acerca da eficácia da acupuntura, e a intimidade de seu mecanismo de ação está sendo pesquisada em muitos centros médicos do mundo.
No Brasil, a acupuntura foi reconhecida como especialidade médica pelo Conselho Federal de Medicina (CFM) em 1995 e pela Associação Médica Brasileira (AMB) em 1998. O primeiro concurso para o título de especialista em acupuntura foi realizado em outubro de 1999, no qual mais de 800 médicos foram aprovados.
Fonte: Centro de Estudo Integrado de Medicina Chinesa (www.ceimec.com.br)